Alyson Harrad Reis tem 13 anos e é o autor de “Jamily, a holandesa negra: A história de uma adoção homoafetiva”, e já trabalha na próxima história. Em “Jamily” Alyson toca em temas como racismo, adoção e relacionamento homoafetivo.

Com uma impressionante comunicação, o jovem autor é humilde ao falar em fama, e é precocemente politizado, trazendo suas experiências pessoais para a literatura, Alyson fala de como sua história se reflete no texto da personagem Jamily.

Filho de Toni Reis e David Harrad, Alyson morou com sua família biológica até os oito anos, e por dois anos passou por sete abrigos, até ser adotado pelo casal. Em entrevistas ele relatou como eram esses abrigos “todos eles eram mantidos por instituições religiosas fundamentalistas. Eu sou artista por natureza e nos abrigos eles não aceitam meu jeito de ser”.

Agora eles vivem em Curitiba – PR, e a família aumentou, Alyson tem uma irmã, Jessica de 12 anos e Filipe de 9. E conversa conosco sobre seu primeiro livro, sua história e a sua  convivência em família.

NÓS2 (N2): Primeiramente, como surgiu esse interesse pele leitura? E a ideia de escrever um livro? 

Alyson Harrad Reis: Na verdade eu não gostava de ler, meus pais Toni e David me incentivaram a minha leitura. A ideia do livro surgiu num dia que eu estava deitado na minha cama e pensei numa história que eu inventaria e analisei e falei “vou escrever um livro” e eu mesmo desenhei a capa.

 N2: Em que ou quem, você se inspirou para escrever a história?

Alyson: Eu me inspirei na história em minha própria vida. O nome (Jamily) foi em homenagem à minha primeira amiga que tive quando vim para Curitiba.

 N2: E como é a Jamily? Ela se parece com você?

Alyson: Ela se parece comigo sim. Ela é uma menina inteligente esforçada, luta pelos direitos dela, como eu.

N2: Você teve algum incentivo de seus pais? Como foi?

 Alyson: Quando comecei no colégio em Curitiba em  janeiro de 2012, eu não ia bem em português. Assim, meus pais me convenceram a ler três livros por mês e ainda fazer as resenhas e postar no meu blog http://Alysonharradreis.blogspot.com.br/

Alyson à direita, Toni abaixo, ao lado de David. Jéssica à frente e Filipe atrás.

Alyson à direita, Toni abaixo, ao lado de David. Jéssica à frente e Filipe atrás.

N2: Você acha que o fato de você ter dois pais te possibilitaram ter uma vivência diferente de outras pessoas?

Alyson: Não, eu acho que a convivência é igual a qualquer outra família. Eles fizeram muita diferença em minha vida eu acho que se não fossem meus pais, eu estaria sem família, sem estudos.

N2: Como foi o processo de escrita do livro?

Alyson: Escrevi o livro entre setembro e dezembro de 2013, aos poucos. No início de 2014, meus pais, minhas avós Araci e Hália e a professora Lídia, que todas entendem muito de adoção, revisaram o texto. Meu pai Toni havia encontrado uma editora para publicar os livros que ele escreveu, e a editora se interessou no meu livro também. Encontramos um ilustrador e em alguns meses o livro ficou pronto para publicação.  Fizemos o lançamento na Casa Hoffmann, no centro histórico de Curitiba, em agosto de 2014, com em torno de cem pessoas. Foi muito emocionante para mim.

N2: Já têm planos para próximo?

Alyson: Já estou com 50% do meu novo livro escrito. O nome do livro é “Kayke, o menino transformado”, e conta a história de um menino que tinha uma família rica, mas o pai desapareceu no mundo e a mãe ficou muito pobre e entrou na prostituição e acabou se envolvendo com as drogas. Ela foi denunciada e perdeu o pátrio poder quando Kayke tinha nove anos. Ele foi para um abrigo e ficou revoltado. Depois foi adotado por um casal de lésbicas e reconstruiu a vida dele. Estudou, se tornou poliglota e foi trabalhar numa multinacional de telefones celulares. Esse é um resumo da história, mas ainda pode mudar porque estou em processo de criação.

N2: Qual seu livro preferido? O que você mais gosta de ler?

Alyson: O meu livro preferido é “O menino do dedo verde”, porque é o primeiro livro que li em minha vida e porque é o que eu mais gostei. Eu gosto de ler contos de fadas, aventuras e suspense, mas o que eu mais gosto são aventuras.

N2: Você acha que a história de Jamily pode ajudar mais pessoas, ou mesmo colaborar para acabar com o preconceito, já que o livro fala de adoção, racismo e relacionamento homoafetivo?

 Alyson: Sim, o principal propósito é isso, incentivar as pessoas a não ter preconceito, e também incentivar casais a adotar crianças.

N2: Como foi pra você ver o seu livro em mãos? Já está preparado para ser famoso?

 Alyson: É uma sensação boa, uma realização e uma transformação, para quem não gostava de ler! Aumentou minha autoestima. Na verdade, temos que discutir o que é ser famoso. Eu já sou de certa forma conhecido, na minha escola, no escoteiro, em eventos públicos, sempre sou reconhecido como o filho de Toni Reis e David Harrad e como escritor. Mas não fico me gabando e nem me “achando” por causa disso, eu quero fazer as coisas que eu goste, que eu  me sinta bem. Não quero fazer as coisas para outras pessoas, eu quero ser eu mesmo.


Conheça também o documentário Ser Criança:

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