Julho de 2015, Valladolid, ESP.

Saí do Brasil no dia 02 de setembro do ano passado, a gente já sai do país com toda a energia, acho que a maioria das vieram já vêm com aquela coisa de não aguento mais, por motivos diversos, ou mesmo uma necessidade de dar uma respirada.

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Meu nome é Juliana Lima, tenho 22 anos, e estou morando na Espanha para estudar arquitetura. Cheguei a Valadolid na madrugada do dia 04. Cheguei assim como todo mundo, pensando ‘meu Deus, intercâmbio’, a gente quer fazer tudo, toda hora.

Conheci uma menina de Recife, que também havia recém chegado, e é hoje uma amiga, um presente… A primeira impressão de tudo foi ótima. O apartamento que eu havia alugado era bom, eu esperava que fosse mais velho, mas era ótimo, e velho, e ótimo.

Morei com dois espanhóis, uma do norte e um do sul, o que já é uma grande diferença cultural, e é muito bom pra essa troca cultural. Demorei uns quinze dias pra me adaptar com o fuso horário. Os dois primeiros meses foram mesmo de adaptação, conhecer a cidade, as pessoas, ainda era época de fim de verão, o clima estava maravilhoso, a cidade estava linda.

Minha rotina era muito louca. Um intercâmbio você não para, aula na faculdade, almoço, que era um momento que eu tinha com meus amigos de piso, depois a volta pra aula, tinha o curso de idiomas também e é claro, as viagens, praticamente todo mês uma viagem considerável. Aqui a gente tem condições de viajar bastante.

Consegui adaptar ao meu estilo de vida a bike, que era uma coisa que eu queria muito e não tinha conseguido ainda no Brasil. Valladolid é muito tranquila, é uma cidade pequena, bem estruturada.79194878

Aqui tenho que lavar minhas roupas, fazer minhas compras, contas, e programar as coisas, o que na verdade, é o que eu mais adoro, essa liberdade de fazer as coisas, e a independência financeira, com a bolsa que eu ganho, nunca precisei do auxílio dos meus pais.

A qualidade de vida sem dúvida é incomparavelmente melhor, a Espanha é um país muito caloroso em comparação a outros países da Europa. Aqui eles não se matam pelo trabalho, tem a siesta onde eles fecham tudo, é uma forma diferente, que eu acho muito louvável.

A questão de segurança de você sair às 3h da manhã e ir andando a pé, além de transporte público, estrutura de limpeza, é tudo maior. Mas o povo brasileiro não tem comparação, aqui eles são mais fechados, levam um tempo a mais para se abrirem.

A maioria dos intercambistas que eu conheci não fez amizade com os espanhóis daqui, a maior razão é que eles simplesmente não saem de suas zonas de conforto pra recepcionar o intercambista, eles são bem restritos em relação a isso.

O melhor do intercâmbio é sem dúvida as pessoas que você conhece, as amizades que você faz, cada coisa, cada dia, os momentos, a experiência de viver só, essa coisa que lidar com a saudade, com as perdas, se afastar um pouco pra identificar o que lhe pertence, é muito importante.11824150_888844744540694_1010834204_n

A liberdade também, a possibilidade de viver, de agarrar tudo com essa vontade de viver tudo, com essa energia que ronda o intercâmbio, que eu não quero perder pra vida, essa disposição que a gente tem, até porque tem um prazo limite, e o que a gente vive aqui é pra vida toda.

Eu volto no próximo dia 04 (agosto), e não vejo a hora de abraçar meus amigos, minha família. É uma coisa que a gente fica tentando não pensar. E outra coisa que estou com muita saudade é a da comida do Brasil. Então eu vou comer muito e espero ganhar muito carinho de todo mundo que estou longe agora.

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