Divertida Mente (Inside Out, 2015, EUA)

Vozes (originais) de: Amy Poehler, Phyllis Smith, Richard Kind, Mindy Kaling, Lewis Black, Bill Hader e Kaitlyn Dias. Direção: Peter Docter e Ronaldo del Carmen.

Depois de conquistar plateias do mundo inteiro com verdadeiras obras primas da animação, a Pixar passou por um momento difícil. Os seus roteiristas e diretores sofreram uma espécie de apagão criativo e o estúdio passou a se limitar a entregar sequências de alguns de seus sucessos e para piorar, a qualidade dessas produções estava bem aquém do potencial. Com a devida e honrosa exceção de Toy Story 3, o que se viu foi uma sucessão de longas irregulares e desnecessários sendo o pior deles Carros 2, de 2011.

Depois do pálido Universidade de Monstros, em 2013, a Pixar decidiu dar uma parada e criar algo que fosse original e que atendesse às expectativas. Esse hiato não poderia ter tido resultado melhor.

Divertida Mente surge, sem exageros, como um dos melhores filmes da empresa. É inteligente, criativo e espantosamente maduro, capaz de ter provocado algumas discussões se de fato se tratava de um filme para crianças. É aí que reside a genialidade do estúdio: não subestimar a capacidade de abstração e sagacidade dos pequenos. Todos saem ganhando: o público infantil que assiste a um espetáculo e os adultos, que são agraciados com um produto de qualidade indiscutível.

Na trama, conhecemos Riley, uma garotinha do interior dos EUA que acabou de se mudar com os pais para a cosmopolita São Francisco. Como devemos supor, uma nova escola e, consequentemente, novos amigos e uma novíssima rotina deverá mexer com o emocional da menina. Iremos descobrir que sim. E de forma literal.

Fotos: Divulgação Pixar

Fotos: Divulgação Pixar

Na mente de Riley estão Alegria, Nojinho, Tristeza, Medo e  Raiva que são, digamos, personificações das emoções primordiais que determinam as suas ações e reações. E paremos por aqui. Revelar mais da trama seria estragar as surpresas que o filme reserva. Basta dizer que Bing Bong é um dos melhores personagens infantis já criados. Guarde esse nome: Bing Bong.

Com esse material, os diretores Peter Docter (o cara por trás de Monstros S.A. e UP – Altas Aventuras) e Ronaldo del Carmen conseguiram entregar um produto que diverte e emociona (emociona muito) ao fazer um estudo de personagem profundo e repleto de camadas de sutilezas.

Observe, por exemplo, que as emoções de todos os adultos já possuem uma formação, digamos, morfológica de gênero bem estabelecida: a mãe tem figuras femininas personificando as suas emoções. No pai, são homens. Em Riley, nossa heroína, são mulheres e… homens. Claro, você pensar: mas ela é uma criança, a sexualidade ainda não está definida. Sim, concordo. Mas o que dizer de um garotinho que cruza fortuitamente com ela e que possui só meninos habitando a sua mente? É algo a se pensar.

Por fim, Divertida Mente não só trouxe a Pixar de volta aos trilhos como comprovou o poder de repercussão e prestígio que a empresa ainda possui, arrecadando US$ 91 milhões nas bilheterias americanas no seu primeiro fim de semana. Frente a um bombástico (no bom e no mau sentido) Jurassic World, e se tornar a maior abertura de um filme original (que não seja sequência, adaptação, reboot ou qualquer coisa que o valha) da história não é tão mal. Um clássico instantâneo e absoluto.

Só um adendo: apesar dos elogios ao serviço de dublagem, recomendo que, quem conseguir, assista a Divertida Mente numa cópia legendada. O trabalho do elenco é sensacional, mas as “atuações” de Amy Poehler (Parks & Recreations) e de Phyllis Smith (The Office), como Alegria e Tristeza respectivamente, beiram o sublime.

COTAÇÃO: EXCELENTE ! ! ! ! !

BG Raphael Travassos

Related Posts

Comentários

Comentário