No começo desse mês, o curso de Audiovisual e Novas Mídias da Unifor (Universidade de Fortaleza) formou a primeira cineasta surda do Estado do Ceará. Yanna Luisa Timbó apresentou em seu trabalho de conclusão de curso (TCC) um videodocumentário sobre o tema educação inclusiva para o surdo.

O videodocumentário foi escrito e dirigido por ela, tem cerca de 10 minutos e é bilíngue por ter áudio em português e tradução para libras. O fato, inédito na história do audiovisual cearense, é de grande relevância nacional.

Segundo a coordenadora do curso de Audiovisual e Novas Mídias da Unifor, professora Ana Quezado, trata-se de uma conquista louvável da aluna, como também de todos que fazem o curso de Audiovisual e Novas Mídias da Unifor.

“Hoje, no Brasil, apenas 1% dos surdos chegam ao ensino superior. E, quando chegam, muitos desistem, até porque o contexto universitário é desafiador para qualquer jovem. No caso da Yanna, houve plena integração dos estudantes, dos professores e dos funcionários da Unifor para o desempenho das atividades acadêmicas dela. É claro que as características dela como aluna também contribuíram para esse desenvolvimento, como autonomia e relações interpessoais harmoniosas”, conta.

Yanna contou com a ajuda de familiares e profissionais da saúde e da educação. Bilíngue em libras e português, a aluna diz que com estudos não teve maiores problemas, mas que chegou a sofrer bullying diversas vezes. “As amizades eram poucas, pois apesar de usar o aparelho auditivo e o implante coclear, minha voz não é muito boa. Porém, os que têm uma maior sensibilidade conseguem conversar comigo”. E acrescenta que a escolha do tema, educação para surdos no Ceará, foi fácil, por sua própria vivência. “Faço parte, literalmente, do projeto, por ter exposto minha vida, meus sofrimentos e agora estar aqui, realizada e vitoriosa, apesar de tudo”.

“O trabalho de Yanna busca estabelecer diálogo com todos acerca das questões pertinentes à educação inclusiva, no momento em que o curso Audiovisual e Novas Mídias forma sua sexta turma, torna-se surpreendente para todos nós, professores do campo cultural, a graduação de uma aluna especial: surda. Nos parece que este fato é um denotativo do alcance inclusivo que a atividade audiovisual pode ter. O campo amplia as possibilidades do indivíduo, o faz superar quaisquer limitações, até biológicas”, salienta o professor orientador do TCC de Yanna, Valdo Siqueira.

Fonte: G1/ Fotos: Divulgação Unifor

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