“Toda nudez será castigada!”, mas o fotógrafo cearense Daniel Fama ousou de uma forma diferente ao retratar a nudez…

O que o fotógrafo de 39 anos fez foi dar um passo além, se a nudez é a liberdade, então não só corpo tem que estar livre, mas a alma, o espírito, a mente. Ele se propôs a clicar como as pessoas veem o próprio sexo. No lugar de vagina ou pênis, seios ou bunda, as pessoas escolheriam um objeto para representá-lo.

Formado em artes visuais há cerca de 20 anos, Daniel  a sexualidade para explorar sua carreira. “A questão é: como as pessoas se veem simbolicamente? Como elas se reconhecem? O ensaio mostra uma relação simbólica com o corpo”, explica o fotógrafo, radicado em Brasília.

Daniel recorreu ao produtor Josuel Júnior, da Fábrica de Teatro do Distrito Federal, para selecionar os modelos do projeto [Nu] Objeto. A opção do corpo sem roupa lida com tabu e diversidade ao se juntar tanta gente. A variedade está refletida nas histórias como a do homem que escolheu bananas e um liquidificador para a sessão de fotos.

No total, foram 50 pessoas clicadas, entre atores, pintores, dançarinos, alguns habitués da cena cultural da capital federal e brasilienses anônimos.

“[Josuel e eu] tivemos a preocupação de conseguir uma diversidade de corpos, idades e estéticas”, conta o fotógrafo. “Quando se fala de nu, de fotografias de pessoa sem roupa, pensamos no estereótipo da pessoa perfeita, sem nenhuma marquinha de pele; nós quisemos mostrar a pessoa como ela é, sem tratamento de imagem para mudá-la”, revela.

Posaram para as lentes de Daniel Fama homens e mulheres, altos, baixos, gordos, magros, brancos, negros, peludos, sem pelos, jovens e idosos, os modelos-nus foram selecionados por meio de redes sociais e tiveram de escolher apenas um objeto que os representasse física ou ideologicamente.

“A ideia é causar reflexão de como a pessoa se vê simbolicamente em relação à sua sexualidade”, afirma Fama. “Falar do corpo ainda é um tabu na sociedade. Quis causar essa reflexão para mostrar que essa relação com o corpo é também uma relação com o mundo.”

O resultado é um ensaio lúdico repleto de objetos inusitados. “Cada objeto não foi escolhido de forma aleatória, mas sim porque fazia referência ao modelo, era como ele se representava”, descreve o fotógrafo.

Veja algumas das fotos do ensaio [Nu] Objeto.

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