Um beijo gay, não acalorado, em horário nobre, entre duas damas do teatro e da televisão, Fernanda Montenegro e Nathália Timberg, que interpretam o casal de lésbicas Teresa Petrucceli e Estela Marcondes na novela Babilônia da Globo, não surtiu o efeito esperado gerando protestos do público e comentários nas redes sociais.

Além do beijo gay entre duas consagradas atrizes, o forte apelo sexual e a exposição constante de cenas de nudez e corpos sarados deixou o público afastado da novela da Vênus Platinada. O conceito de família e valores ainda é forte na cultura brasileira. Os autores Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga não obtiveram êxito, nem mesmo com Fernanda e Natália ambas com mais de 80 anos.

Gilberto afirma que o público não entendeu o propósito das personagens, e que uma novela é passível de erros, portanto não emplacou. Talvez se fosse um casal masculino com mais de 80 anos, o público poderia receber melhor, Tarcísio Meira e Ney Latorraca se beijaram no longa “O Beijo no Asfalto” em 1980, sendo que o público e a crítica especializada enxergaram o trabalho com bons olhos. O filme tem 35 anos, anos 80, estamos em outros tempos, e a concepção acabou regredindo.

Mesmo com os problemas enfrentados, corte de cenas, mudanças no enredo e baixa audiência, ficando muitas vezes atrás da novela das sete em torno de 25 pontos, vale destacar a ousadia dos autores. No contexto geral de Babilônia, que será encurtada em 18 capítulos, vale ressaltar a grande atuação dessas damas da televisão, que mais uma vez, deixaram o brilho em uma novela.

Babilônia será a quarta novela mais curta das nove da história da Globo, dividindo a posição com “Em Família”, “Anastácia” e “Sangue e Areia”. O folhetim ainda conseguiu reunir às atuações de Glória Pires e Adriana Esteves nos papéis das protagonistas Beatriz e Inês que seguraram as pontas da novela em muitos momentos. Adriana teve que “descansar” a imagem da vilã Carminha de Avenida Brasil, para poder atuar em Babilônia.

Camila Pitanga também está em boa fase da carreira, a morena que interpretou a exuberante e atrapalhada Bebel em Paraíso Tropical (2007) caiu nas graças do público como a batalhadora Regina. Aliás, a Globo deveria aproveitar melhor a atriz em suas produções. Cássio Gabus Mendes também defendeu bem seu personagem, o trio Gilberto, o diretor Denis Carvalho e Cássio já trabalharam em várias novelas juntos.

BG MARCELO NAVA

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