“O que foi que eu fiz?” foram as últimas palavras ditas por Adriano Cor, ao seu algoz no dia 7 de Julho. Hoje suas palavras ecoam mostrando o que a população LGBT diz todos os dias.

Adriano Cor, produtor cultural e dançarino do bloco Tambores de Olokun, foi morto no dia 7 de Julho deste ano e teve seu corpo foi jogado em um rio no município de Nova Iguaçu (RJ). Desde o início a principal linha investigativa da polícia era homofobia, o que foi criticado por muitos, pois para a maioria “tudo é homofobia e vitimismo“.

Nesta quarta-feira (12) a polícia confirmou que a motivação do crime foi homofóbica, e o suspeito é André Luis dos Santos Vieira, de 19 anos, conhecido como Dedé Chupeta, segundo o delegado Fábio Cardoso. “Ele (André) dizia para as testemunhas que não gostava de homossexuais. Ele então criou um flerte com o Adriano para criar uma situação em que eles estivessem sozinhos e ele pudesse agredi-lo”, diz o delegado.

Eles teriam se encontrado em Nova Iguaçu e se desentendido, quando André golpeou Adriano no rosto e o socou até ele desmaiar. Então André pegou uma chave de fenda e o feriu várias vezes, querendo ainda passar com o carro por cima do corpo, aonde os amigos interviram e se recusaram a fazer isso. Em seguida, jogou o corpo de Adriano no rio.

André ainda está foragido e a Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense divulgou as imagens dele para auxiliar em sua prisão. O Portal dos Procurados oferece R$ 1 mil, pra quem tiver informações, e publicações com a notícia de sua identificação está em todos os lugares na internet.

Mas o que esse crime denuncia vai além de toda dor da família e amigos de Adriano. Ele vem mostrar à sociedade que a homofobia mata, mata muito, mata demais. E que o discurso de ódio não pode mais ser veiculado com o respaldo da liberdade de expressão, opinião etc.

O ódio é a mensagem, que encontra canal aberto em praticamente todos os lugares, e que ao gerar a intolerância, não traz outro resultado, senão a morte. Essa ‘técnica’ criminosa de atrair as vítimas para mata-las só vem somar aos números de travestis e transexuais mortas diariamente que aparecem nas estatísticas e tantas mais que nem chegam a virar números.

A população LGBT sofre toda violência cotidiana que qualquer pessoa está sujeita a passar, e ainda sofre com a violência específica a LGBTfobia. Homossexuais são agredidos por familiares, mulheres lésbicas sofrem estupros como forma de punição e as políticas públicas não sustentam o mínimo direito à dignidade. Não é mais possível negar e esconder a violência LGBTfóbica com o discurso de “mas é tudo homofobia”.

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