Na última sexta-feira (11), a artista Leônides Quadra se apresentava como o Palhaço Tico Bonito, no centro da cidade de Cascavel (PR), como uma das atrações da 29ª Edição do Festival de Teatro de Cascavel, quando foi negligentemente preso pela Tropa de Choque da PM. O motivo: falou o que indignava a ele e a população.

Tico lançou críticas à Polícia Militar e ao governador do estado, Beto Richa (PSDB), “eles só protegem burguês que mora no centro e o governador Beto Richa. São seguranças particulares pagos pelo povo”, afirmou enquanto um carro do Choque da PM passava pelo local.

Os policiais descerem da viatura em direção ao artista e o prenderam na frente da plateia formada por crianças, adolescentes e adultos, que imediatamente saíram em defesa do artista e vaiaram a atitude da polícia, que foi “obrigada” a chamar a cavalaria para conter a população.

O palhaço foi encaminhado ao Fórum, onde foi feito um boletim de ocorrência e uma audiência foi marcada com um juiz. O tenente da PM, Roberto Tavares, explicou que como Quadra se recusou a entrar na viatura, foi pedido reforço. Foram chamadas três equipes da PM além da cavalaria.

“A população que estava no local tentou impedir que ele fosse preso, defendendo o palhaço”, disse Tavares, que ainda explicou que o palhaço foi preso por ter insultado a polícia, “”Quando estavam passando [os policiais] ele [o artista] disse que lá vinham os palhaços do governador que só sabem cuidar de quem tem dinheiro”, conta o tenente da PM, Roberto Tavares.

Em sua página no Facebook, Tico divulgou um novo vídeo em que nega ter chamado os PMs de palhaços e mostra o momento em que a PM chega ao espetáculo, e diz que ele fez uma crítica baseada na situação que o país e o estado enfrentam. “Falei que enquanto seis viaturas estão no centro garantindo a segurança dos comerciantes, nos bairros não tem ninguém. Falei que a polícia protege o burguês e o governo”, disse.

A PM argumentou que durante o dia, o maior movimento e número de roubos é no centro, portanto o reforço é nessa região. Todavia, os bairros não deixam de ser atendidos. “O que aconteceu foi que outras equipes que estavam próximas vieram quando foi feito o pedido de reforço. São críticas infundadas”, garante Tavares.

O artista contou que ficou machucado durante a ação. “Eles agiram com agressividade, as crianças que estavam lá se assustaram e começaram a chorar. A atitude deles não muda nada, só reforça o que eu estava falando”, ressalta.

A PM disse que os policiais usaram a força necessária. “Não agiram com truculência, mas se ele comprovar que foi agredido pode fazer uma reclamação formal no batalhão”. Com relação ao público, Tavares afirmou que a maior parte dos espectadores era de adultos, uma vez que a situação ocorreu em horário escolar, mas é possível ver no vídeo a quantidade de crianças que assistiam ao espetáculo.

O coordenador artístico do Festival de Teatro de Cascavel, Andre Luiz Dutra, lamenta o ocorrido. “Foi um grande mal-entendido, foi uma situação que poderia ter tido um fim distinto com relação ao que aconteceu. Poderia ter acontecido de forma diferente se talvez o diálogo fosse outro. Acredito que o calor da emoção levou a essa finalização”, comenta.

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