Misturando o rock’n roll na veia, com a atitude rap e a batida do funk, na miscelânea da nova MPB, temos um resultado incrível: mulheres, cantando suas vivências de descoberta e emancipação, para mulheres. Difundindo a ideia e o posicionamento feminista em suas letras, que se propagam na velocidade do som.

Para Valesca o feminismo é “o ato de lutar pelo o que nos indigna” e afirma ser feminista desde que nasceu. Com músicas que exaltam o poder da mulher pelo seu corpo, a liberdade sexual e autonomia na hora de escolher o que quer de uma relação, Valesca dá voz à mulher da favela, e quebra com os paradigmas de ideais do comportamento feminino.

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Cheia de empoderamento Karol Conká traz à cena do rap, até então sem grande visibilidade midiática, e diz que não teve “tempo para prestar atenção na parte negativa de ser uma mulher nesse meio ainda muito masculino”, e denuncia que existe sim o preconceito “tanto que são poucas as meninas no rap porque a maioria tem medo, tem vergonha, ou acha que tem que, para fazer sucesso, sair com vários caras”.

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Karol comenta sobre a necessidade em caracterizar bandeiras ao invés de atitudes, e que o que ela canta é o que ele sempre viveu, e não um conceito abstrato, “só fui ter conhecimento do movimento feminista depois que lancei meu disco porque eu realmente vivo muito no meu mundo, sempre focada em fazer música. Mas agora que eu já sei o que realmente é, eu me considero uma feminista”.

Com músicas de autoafirmação, liberdade sexual e conquista de sonhos, Conká traz ainda o recorte racial, cantando ao homem branco, que a mulher saiu para se libertar e “não vai voltar, nem espere pra jantar”, e que suas regras vão causar um efeito “é quando eu quero, se conforma, é desse jeito, se quer falar comigo então fala direito”.

Esse protagonismo da mulher sempre esteve presente também nas músicas da Pitty, “e na forma de agir, a não-submissão e a libertação feminina. Isso foi ficando mais claro com o passar do tempo, até que um dia descobri que tudo aquilo que sentia, pensava e agia tinha um nome: feminismo. É natural, é a luta por igualdade; e da mesma forma que sinto isso em relação a nós mulheres”.

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Pitty é uma das mulheres mais influentes da música dos nossos tempos, com uma carreira consolidada de quase duas décadas, sempre evidenciou a tentativa do sistema na invisibilidade da mulher, fosse em seu disco de estreia, ou no fantástico Chiaroscuro com a faixa ‘Descontruindo Amélia’, e o novo trabalho que traz a mulher sem pudor quanto ao seu corpo e ao seu desejo, como em ‘Pequena Morte’.

Karina Buhr, considerada uma das mais fortes figuras femininas no posicionamento de direitos também já comentou sobre a necessidade que as pessoas criam para as artistas se denominarem feministas “eu não tenho vontade de ficar construindo alguma imagem. Sempre falei sobre essas coisas na vida, mesmo antes de ser artista, mas minha ideia de feminismo é que um dia a gente não precise mais ser feminista. O ideal é que seja tudo tão normal e cotidiano que a gente não precise mais se defender quanto a isso. Vamos ser feministas enquanto for preciso”.

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Assim como Karina Buhr, a cantora baiana fala sobre a cultura machista de criar a rivalidade entre as mulheres com o intuito de enfraquecer e invisibilizar o grupo, e lembra que a luta é contra o patriarcado, “ao invés de estarmos correndo atrás do que realmente interessa ficamos perdendo tempo e energia umas com as outras”.

Sobre a missão de ter de politizar e emancipar as mulheres, Pitty é feroz em dizer que isso acontece “na medida em que exponho minhas ideias e sentimentos, e esses apontam para isso, para o fortalecimento da figura feminina e para a liberdade. Todas nós exercemos o feminismo quando não nos deixamos subjugar, quando nos tornamos protagonistas da nossa história”.

Como diz Karina, “é um saco bater sempre na mesma tecla? Sim, mas é um saco maior ainda passar pelas coisas que as mulheres passam, então vamos continuar”, Valesca lembra que “feminismo é ter voz para lutar contra a desigualdade”. “O machismo só vai acabar quando nós não precisarmos mais responder em entrevistas se existe diferença [entre homem e mulher] ou não”, completa Conká.

Pitty aponta que “o problema da questão de gênero é que ela prescreve como devemos ser em vez de reconhecer como somos”. Todas elas são expoentes nos estilos que cantam e em suas mensagens, uma vez que não há visibilidade igual das mulheres no rock, no rap, no funk e na própria MPB. O que eleva a importância de se apropriar do momento, da cena, e fazer valer a voz que grita o poder da emancipação da mulher aos quatros ventos.

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