Carol Rossetti é ilustradora mineira e através de seus desenhos ecoa a liberdade feminina frente ao machismo diário que julga e padroniza os modos de ser e agir das mulheres. Suas personagens vão de Maíra que tem cabelo black power, a Jane que é gordinha, Luma é negra e namora um rapaz branco, Emilly é transsexual, Cecília faz pole dance, Laís é atriz pornô e Paula, dona de casa. Todas são alvo de julgamentos numa sociedade (real) acostumada a cercear a liberdade das mulheres.

20150818175919723459i

A personagem pioneira, Marina, foi desenhada em abril de 2014. É uma mulher que gosta de usar vestidos listrados, mas se preocupa porque as revistas de moda dizem que esse modelo não combina com o corpo dela. “Liga para as revistas não, Marina. O importante é usar o que gosta e se sentir bem com o próprio corpo”, aconselha o quadrinho. O nome de Marina, assim como o de todas as figuras que a sucederam, é aleatório, mas o conselho feminista é proposital.

Carol possui mais de 250 mil curtidas no Facebook, e suas personagens inspiradoras do mundo virtual agora ganharão as ruas, prateleiras e poderão estar nas mãos de todo mundo. Os desenhos foram transformados no livro “Mulheres” (Sextante, R$ 39,90) e são fruto de experiências pessoais, de pessoas conhecidas ou, muitas sugeridas por leitoras.

“No começo, o intuito era encorajar minhas amigas. Depois, a iniciativa alcançou milhares de pessoas e tornou o debate sobre feminismo mais acessível, mais leve”, diz Carol. “Não é porque minhas protagonistas são femininas que esse é um projeto apenas para garotas”. O que começou como um passatempo – ela é designer gráfica e queria treinar as próprias técnicas com lápis de cor, se propondo a fazer um desenho por dia – se transformou em livro.

“As pessoas conversam comigo, me enviam emails, mensagens. Fazem comentários, sugestões. Dizem que alguns quadrinhos fizeram a diferença na vida delas, nas atitudes. Começaram a pensar como não pensavam antes, a refletir mais”, conta Carol.

20150818180119393787a

Hoje, além de uma agente literária pessoal, que a representa nos EUA, Carol tem quadrinhos traduzidos para inglês e espanhol e planeja lançamento de ‘Mulheres’ nos EUA, no México, na Espanha e em Portugal – os três primeiros já negociados. Em setembro, autografa exemplares na Bienal do Livro do Rio de Janeiro.

“No começo, o meu projeto era sobre coisas e cenas que eu observava. Depois, especialmente com as traduções para outros idiomas, o universo se expandiu. Foi além. Vi muito mais do que eu veria apenas em Belo Horizonte. Em outubro, o livro chega aos Estados Unidos, onde minha agente literária me representa. Talvez eu viaje até lá, na ocasião. E será lançado também na Espanha e no México. E, possivelmente, em Portugal. Cresci muito nesse processo, vendo os desenhos ganharem o mundo”.

Enquanto migra para outros projetos no ambiente virtual – a ilustradora não cria novas mulheres há algumas semanas, mas já publica aquarelas voltadas ao público infantil – ela reforça que a inspiração não vem, necessariamente, de personalidades históricas. Cita páginas semelhantes, como ‘Desalineada’ (14 mil curtidas, da também mineira Aline Lemos) como referência. “O projeto também é sobre encontrar inspiração em pessoas comuns.

Fonte: Diário de Pernambuco

Related Posts

Comentários

Comentário