No Vale do Javari, no Oeste do Amazonas, povos indígenas agonizam com níveis críticos de doenças como a malária e hepatite, e quem mais sofre são as crianças. Com as enfermidades e o ônus da precariedade das condições de vida nas aldeias, cerca de 20 crianças na faixa etária de até um ano de idade, foram aniquiladas pelas doenças e desnutrição de janeiro a junho deste ano, conforme dados da Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari).

Segundo Paulo Kenampa, coordenador da Univaja, as ações básicas de saúde em todas as aldeias indígenas são realizadas de forma paliativa e ineficiente, faltam medicamentos e materiais médico-hospitalares básicos em todas as aldeias dos Polos Bases da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), órgão do Ministério da Saúde responsável pelo atendimento indígena.

“Tudo isso se deve a falta de um efetivo maior de médicos e enfermeiros. Outra dificuldade é o acesso às comunidades, uma vez que o meio de transporte são basicamente os barcos, e nem sempre os rios da região são de fácil navegabilidade”, comenta o coordenador da Fundação Nacional do Índio (Funai) no município de Atalaia do Norte, a 1.138 quilômetros de Manaus, Bruno Pereira, e enfatiza que as reivindicações dos indígenas são antigas e que tendem a afetar ainda os índios isolados.

A dificuldade de acesso e de remoção de pacientes graves e a falta de estrutura para a atuação dos agentes de saúde não são os únicos problemas. Segundo Kenampa, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), dispõe de poucos médicos na região e reforça que há casos críticos de hepatite e malária na região, onde existem pouco mais de 3 mil indígenas, espalhados em 50 aldeias. Também há um número desconhecido de tribos isoladas na região, onde o impacto das doenças é ignorado.

De acordo com informações do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi) no Vale do Javari, a quantidade de óbitos no primeiro semestre deste ano, já superou a mortandade do ano passado quando foram registrados onze óbitos – entre recém-nascidos e crianças de até um ano, decorrentes da desassistência à mãe e ao bebê, seja por pré-natal mal feito ou não realizado ou mesmo por falta de auxílio no parto. O ano de 2013 teve a maior incidência, 85 registros de óbito envolvendo crianças indígenas nas aldeias do Alto Solimões, segundo o relatório Violência contra os povos indígenas no Brasil, publicado em 2013 pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Para o presidente do Condisi, Jorge Marubo, em entrevista ao portal “Povos Indígenas do Brasil”, “a situação do descaso com a saúde indígena foi denunciada muitas vezes às autoridades competentes, mas nenhuma providência foi tomada”, reiterando em seu posicionamento a insatisfação e preocupação com a causa e ressaltando a necessidade de uma intervenção por parte dos órgãos de controle externo dos setores de saúde.

O coordenador da Univaja, Paulo Kenampa, disse que nos próximos dias as representações indígenas irão solicitar uma auditoria na Sesai, para esclarecer os motivos para a falta de medicamentos e de infraestrutura nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei). “Estamos vivenciando um surto de doenças e ninguém atende nossos apelos”, lamentou.

Entre os Yanomami, no Norte do Amazonas, foram registradas 46 mortes de crianças menores de 1 ano. Em relação à morte por desassistência à saúde, em 2014, foram registrados 21 casos nas aldeias Yanomami. No ano anterior, sete mortes haviam sido registradas.

Com informações de: A Crítica (UOL) / Foto: Euzivaldo Queiroz

Related Posts

Comentários

Comentário