Assistir a séries e não ter com quem conversar sobre elas é terrível. Ainda mais quando elas se tornam uma parte de nós, ou quando precisamos daquela dose de maratona para nos embebedar de todo o enredo e ver todos os personagens e situações e saber “o que vai acontecer agora???!!!!”. Separamos então, uma lista com as Cinco Séries Para Assistir Acompanhado, porque todas elas, além de nos deixar maravilhados com suas histórias, criam uma necessidade de conversar sobre a trama, os diálogos, aquele detalhe que você pensa ser o único que viu, as ações, as angústias, as histórias individuais dos personagens e o que o futuro lhes reservam…

5 – Grace & Frankie

0507_grace-frankie1

 

Enredo: Essa divertida série original da Netflix (criada por Marta Kauffman, de” Friends”) começa de forma dramática. Duas esposas de 70 anos são informadas durante um jantar que seus maridos, também sócios, são amantes há 20 anos. Uma surpresa. Uma decepção. Uma derrota. E uma chance de recomeço. Mas recomeçar aos 70 anos parece uma tarefa difícil, não? Depois de 40 anos casadas, Frankie (Lily Tomlin) e Grace (Jane Fonda), que até então não se suportavam, terão de se agarrar uma a outra pra conseguirem sair dessa. Os filhos tem papel importante na série, principalmente Brianna (June Diane Raphael), uma mulher independente que nunca quis ter um relacionamento, por ver os relacionamentos frustrados de sua irmã e o dos próprios pais.

Porque assistir: Primeiramente porque Fonda e Tomlin estão excelentes. Segundo porque o mundo de Grace & Frankie mista entre o mágico e o real. Não é sempre que encontramos uma história como essa, tão profunda e trabalhada com a maestria a fazê-la ficar leve com um humor agradável, que nos reserva momentos de empatia, angústia, compaixão, e claro, muitas boas risadas.

4 – Narcos

narcos_31-e1438109543183-750x380

Enredo: Narcos (criação de Chris Brancato e Eric Newman) é a nova série sensação da Netflix, e narra a história do traficante colombiano Pablo Escobar (na magnífica interpretação de Wagner Moura), que vai da ascensão de um criminoso comum para um dos homens mais perigosos, procurados e ricos do mundo. A série conta com 10 eletrizantes episódios onde destrincha um lado da história que nós não conhecemos, humanizando Escobar, e mostrando as nuances da política e das instituições policiais e claro, da política de intervenção norte-americana, que fazem da série tão completa e complexa, tornando-a um documento histórico, para além do entretenimento. A trama é narrada em off pelo agente do DEA Steve Murphy  (Boyd Holbrook), que juntamente com seu parceiro Javier Peña (Pedro Pascal) embarcam numa verdadeira odisseia para capturar Escobar.

Porque assistir: Primeiramente pela primorosa produção. Segundo por conhecer esse pedaço na nossa história latino-americana tão atual e ausente dos livros, o que nos deixa com um gosto de quero mais (e uma angustia por saber que a próxima temporada virá só no próximo ano). Quando o episódio termina, percebemos que estávamos prendendo a respiração, é hora então de começar a conversar sobre a enxurrada de informação que recebemos e que vai se encaixando, como se tudo fizesse sentido agora.

ps¹: A direção dos dois primeiros episódios é do brasileiro José Padilha, um dos produtores da série, e são os melhores episódios.

3 – Umbreakable Kimmy Schmidt

serieunbr1

Enredo: Kimmy Schmidt (Ellie Kemper) foi raptada aos 14 anos por uma seita apocalíptica com mais três reféns, e quinze anos depois, ela é libertada, decidindo ir viver sua vida em Nova York, no entanto o mundo não está mais como ela conheceu, aliás, ela nem chegou a conhecer o mundo. Ela acaba indo morar no porão de Lilian (Carol Kane), onde conhece Titus (Tituss Burgess), uma estrela em busca de fama, e começa a trabalhar na casa de Jaqueline Vorhees (Jane Krakowski), uma madame rica, que tem uma história própria, um segredo de família, o que é uma das coisas mais incríveis da série, os personagens são complexos, e quanto mais vamos conhecendo suas histórias, mais envolvente a trama fica.

Porque assistir: Umbreakable Kimmy Schmidt (criação de Tina Fey e Robert Carlock) é uma das séries mais ácidas dos últimos tempos. Tem um humor incrível e toca em temas delicados como o fanatismo religioso, racismo, imperialismo norte-americano e supremacia branca, de maneira tão sagaz, que chega a incomodar com tanta verossimilhança aos nossos dias. É uma série super atual, com debates relevantes, e piadas afiadas lançadas em nossa direção que acertam em cheio e são responsáveis por horas de conversas sobre seus episódios.

ps¹: As atuações são indescritíveis, principalmente de Tituss Burgess.

ps²: A dublagem é ótima, fiel ao texto e muito sagaz.

2 – Modern Family

modernfamily2

 

Enredo: Essa série norte-americana é muito amor! Idealizada por Christopher Lloyd e Steven Levitan no set de gravações do “The Office”, Modern Family é uma comédia campeã em prêmios e não é por menos. A história é muito bem escrita, as atuações são espetaculares, e as situações são tão cotidianas que nos perdemos tentando identificar o que tem de nós em cada personagem. A trama gira em torno de três famílias que são interligadas através de Jay Prichett e seus filhos Claire e Mitchell. Jay Prichett (Ed O’Neill), o patriarca, é casado com uma boliviana muito mais jovem, Gloria (Sofía Vergara), uma apaixonada mãe, que, sempre apoia seu filho, Manny (Rico Rodriguez). Claire (Julie Bowen) é uma dona de casa e mãe que se casou com Phil (Ty Burrell), um agente imobiliário e autoproclamado “pai legal”. Eles têm três filhos: Haley (Sarah Hyland), a adolescente estereotipada, Alex (Ariel Winter), a filha nerd e o caçula Luke (Nolan Gould). Mitchell (Jesse Tyler Ferguson), um advogado, e seu marido Cameron (Eric Stonestreet) adotaram uma bebê vietnamita, Lily (Aubrey Anderson-Emmons), e juntos, todos eles  vivem as mais divertidas situações, como qualquer família comum. Mordern Family é a nova queridinha da América e do presidente Obama, e cativa de tal forma que é possível nos pegar conversando sobre o último episódio na hora do almoço, ou mesmo apresentar um personagem para um amigo, como se fosse alguém da família.

Porque assistir: além de ser uma das melhores séries de comédia dos últimos tempos e de garantir boas e sinceras gargalhadas, seu modus operandi na construção dos estereótipos das personagens nos leva a questionar os padrões estabelecidos pela sociedade, onde vemos nossas ações corriqueiras representadas de forma despretensiosa e debochada, ao mesmo tempo em que nos sentimos tão humanos nessas representações.

1 – In The Flesh

IntheFlesh_s1thumbnail_01_web

 

Enredo: In The Flesh é uma série britânica de Dominic Mitchell, para a BBC Three, e conta a história dos “mortos vivos” que sofrem da Síndrome de Falecimento Parcial (PDS), que saíram da terra e começaram a matar todo mundo. O governo então cria uma espécie de medicamento que os torna mais humanos novamente. A história é contada do ponto de vista de uma das vítimas, Kieran Walter (Luke Newberry), um adolescente que cometeu suicídio há quatro anos, quando seu melhor amigo Rick (David Walmsley) morreu na guerra do Afeganistão. No entanto, a cidade é muito conservadora em relação aos “mortos vivos” e criam dificuldades para eles, principalmente com a chegada de uma representante do governo que mobiliza a comunidade para tentar eliminar essa nova “raça”, com um grupo de resistência que persegue os portadores de PDS, com a ideia de hegemonia dos humanos de verdade.

Porque assistir: In The Flesh traz os portadores da Síndrome do Falecimento Parcial como uma minoria (poderiam ser negros, gays, pessoas com deficiência ou qualquer outro grupo ainda hoje marginalizado por uma parte da sociedade); existem as pessoas totalmente contrárias à ideia de que eles sejam inseridos novamente no convívio social (a maior parte dos habitantes de Roarton), as simpatizantes, os grupos de defesa, os programas do governo para a proteção, as lei que punem a discriminação, e os discursos tanto de ódio, quanto os de apoio são muito bem construídos. É uma perfeita alegoria da sociedade atual, por assim dizer, e além de ser um ótimo entretenimento, traz um debate muito interessante para depois dos créditos finais.

Related Posts

Comentários

Comentário