A índia e militante pelos direitos indígenas Daiara Tukano veio através das redes sociais pedir apoio aos índios Guarani-Kaiowá que estão em conflito com fazendeiros (no que nas palavras de Daiara é o maior genocídio da história do país) no Mato Grosso do Sul.

A Força Nacional está lá juntamente com as Polícias de Fronteira, Federal e Militar, “atuando como milícias”, denuncia Daiara, que pede a ajuda dos movimentos sociais para informar sobre o que está acontecendo, pois a mídia estaria silenciado toda e qualquer notícia. Ela pede que as pessoas divulguem seu vídeo para que ganhe repercussão internacional, onde só assim algo poderá acontecer para parar esse verdadeiro massacre.

Na semana passada o missionário Cleber Buzatto, procurou a rádio Rádio Brasil Atual para relatar o que estava acontecendo, e que informou a Funai e a Polícia Federal que os fazendeiros estariam planejando o ataque, mas os policiais não foram ao local, chegando lá apenas horas depois, quando já haviam iniciado a ofensiva.

Ouça o relato de Cleber Buzatto.

Assista ao depoimento de Daiara Tukano.

Entenda a situação dos Guarani-Kaiowá no MS

No dia 29 de agosto, o indígena Semião Fernandes Vilhalva, de 24 anos, foi assassinado no município de Antônio João, a 402 km de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, quando tentava buscar seu filho de 4 anos, no horário que ocorria conflito entre fazendeiros e indígenas.

Semião pertencia à etnia Guarani-Kaiowá, grupo que ganhou a atenção da opinião pública em 2012. Naquele ano, indígenas de outra comunidade Guarani-Kaiowá emitiram uma declaração de “morte coletiva” de 170 homens, mulheres e crianças após receberem uma ordem de despejo decretada pela Justiça de Naviraí (MS).

A liminar foi rapidamente suspensa pela Justiça Federal e a comoção pública em favor desta população tradicional brasileira se dispersou. No entanto, outros problemas dos Guarani-Kaiowá – que viviam no Mato Grosso do Sul até serem expulsos de suas terras nos anos 1940 e 50 – seguem há anos sem resposta.

No município de Antônio João, os Guarani-Kaiowá tiveram a homologação de suas terras em 2005, mas ainda não têm o direito de usufruir de sua área tradicional. Com um processo de disputa da terra parado na Justiça Federal desde 2005, centenas de índios estiveram confinados em menos de 150 hectares, dos 9.317 que foram homologados. O restante da área foi dividida em nove fazendas, em posse de latinfundiários do estado.

Diante da omissão e letargia do governo federal e do Judiciário, os índios ocuparam as fazendas em agosto deste ano. No contra-ataque dos fazendeiros, Semião foi morto a tiros, motos foram incendiadas e o clima de tensão tomou conta da cidade. “Muitas pessoas da comunidade foram espancadas durante o confronto e duas pessoas foram parar no hospital por causa dos ferimentos e dos tiros de balas de borracha”, relata a professora indígena Inaiê.

Após a reunião com o Ministério da Justiça, ficou estabelecida a criação de uma comissão para iniciar os processos de indenização e a permanência das tropas da Força Nacional até que o clima no município se tranquilize.

Segundo o Cimi, o confronto em Antônio João é mais um exemplo da saga Guarani-Kaiowá pelo reconhecimento de suas terras, cujos processos estão engavetados no Ministério da Justiça ou na Justiça Federal. Para a entidade, a falta de agilidade e de proatividade do governo federal contribui para os agravamentos dos conflitos.

Com informações de Carta Capital, Midia Max, Rede Brasil Atual e Grupo Violes

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