Em 1980, o cubano Arnaldo Tamayo, de 73 anos, se tornou o primeiro negro a orbitar no espaço em 1980 à bordo da nave Soyuz 38. Então em 2002, foi a vez do sul-africano branco Mark Shuttleworth, de 41 anos, que se tornou o primeiro africano, e o segundo turista espacial, pagando 20 milhões de dólares pela aventura.

Agora, um nigeriano e três sul-africanos competem para se tornar a primeira pessoa negra da África a contemplar a Terra a partir do espaço. Três destes quatro aspirantes foram pré-selecionados no marco de um concurso mundial para enviar ao espaço “um jovem ícone do futuro”. Em novembro, saberão se um deles poderá ultrapassar a linha de Karman, que delimita a fronteira entre a atmosfera terrestre e o espaço.

O nigeriano Freeman Osonuga, médico do hospital universitário de Lagos, competirá com outras 30 pessoas no programa “Rising Star” da agência de talentos Kruger Cowne e da organização caritativa One Young World, ambas com sede em Londres.

“É maravilhoso ter a oportunidade de fazer história e inspirar uma geração e um continente”, afirmou Osonuga. O vencedor deverá então se submeter a um treinamento intenso antes de embarcar à bordo da nave Lynx Mark II, da empresa XCOR em um voo previsto teoricamente em 2016.

Freeman, de 30 anos, natural do estado nigeriano de Ogun (sudoeste) e mais velho dos seis filhos de uma família humilde, está acostumado a correr riscos. Recentemente, trabalhou durante seis meses em Serra Leoa no seio de uma equipe de luta contra o vírus ebola.

A empresa norte-americana XCOR propõe voos de uma hora pelo preço de 100.000 dólares (cerca de R$ 385.000) e já vendeu centenas de passagens para pessoas físicas, que um dia poderão passar entre 5 e 6 minutos na gravidade zero.

A data para o primeiro voo comercial à bordo da nave espacial Lynx Mark II, cuja decolagem está prevista para ocorrer no deserto californiano de Mojave, ainda é desconhecida, já que ainda não está pronta.

A lista de candidatos pré-selecionados pelo “Rising Star” se reduzirá a três finalistas, que deverão cada um falar durante 15 minutos em novembro em Bangcoc sobre um tema de sua escolha para uma plateia de 1.300 pessoas de 196 países diferentes.

Depois, os jurados decidirão quem merece se tornar um astronauta. Só de pensar, a produtora e diretora de programas educativos sul-africana Nono Cele, de 28 anos, fica “arrepiada”, já que pode se tornar a primeira africana negra a viajar ao espaço. “Minha trajetória, meu país, minhas dificuldades, meus erros, tudo me deu a entender que algumas coisas são impossíveis para alguém como eu: uma mulher negra e sul-africana”, contou à AFP.

“Poder chegar a um feito tão grande só confirma o fato de que minha vida tem um sentido, que é linda e, sobretudo, que posso contribuir para que as coisas mudem”, afirmou a jovem.

O terceiro candidato africano negro no concurso, Tshepo Seloane, tem 25 anos, é conselheiro no Fundo Nelson Mandela para a infância e defensor da juventude. O aspirante a cosmonauta é originário da província de Guateng, no norte da África do Sul.

Em 2013, outro sul-africano conseguiu um lugar num dos voos espaciais da Lynx Mark II, na final de um concurso organizado pela Academia Espacial Axe Apollo, com sede nos Estados Unidos. Mandla Maseko, DJ nas horas vagas, se autodenominou como “o afronauta”, deveria embarcar este ano, embora até agora continue esperando que a data do voo.

O vencedor de “Rising Star” decolará no início de 2016, mas o atraso no desenvolvimento da nave espacial pode atrasar os planos do astronauta. A apresentação da nave, prevista inicialmente para 2010, foi adiada para 2012 e, depois, para 2015. Em sua página na internet, a XCOR explica que a fase de testes da primeira nave ocorrerá no final de 2015 e poderá durar até 18 meses.

Freeman Osonuga já sonha com um voo espacial. “Seria uma das poucas oportunidades para se tornar um raio de esperança para o continente. A prova viva de que podemos apontar para a lua”.

Com informação da Agencia France-Presse

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