Aconteceu neste domingo (13), no Recife, a primeira Marcha do Empoderamento Negro, que tem como objetivo “tomar a consciência da população sobre esse mito da democracia racial. E principalmente empoderar as pessoas negras, para que elas tomem consciência da sua estética e da sua história”, como explicou Natália Rocha, uma das organizadores do evento.

O ato que objetiva dar visibilidade à violência cotidiana contra o homem e a mulher afrodescendente teve início às 11h na praça do Derby onde seguiu pela avenida Conde da Boa Vista em direção ao Marco Zero. A organização do ato, que tem o apoio do Coletivo de Mulheres Negras e do Movimento Negro Unificado (MNU) acredita que a principal bandeira da marcha é trazer representatividade para as crianças negras. “O racismo pode mudar a partir do momento em que as pessoas se aceitam, e passam isso para as crianças”, defende a fotógrafa Rayza Oliveira, dona de uma loja virtual de produtos inspirados na cultura afro.

A estereotipação e sexualização da mulher negra, bem como os altos índices de assassinato dos jovens negros e pobres tiveram destaque entre os pontos denunciados no protesto.  A gente está aqui apresentando informações para as pessoas começarem a desconstruir aquele racismo velado”, reforça Nathália.

O movimento do Recife, foi inspirado pela Marcha do Orgulho Crespo, que ocorreu em São Paulo no final de julho. A ideia é que a passeata aconteça anualmente. “O racismo está em todos os lugares. Desde escola, instituições públicas e privadas. O Estado em si, é racista. Essa marcha é para as mulheres e homens que se sentem acuados. Para que eles se sintam cada vez mais acolhidos”, lembra Rayza. 20150913165410273527o

A auxiliar administrativa Izabel Cristina, soube através do facebook e resolveu participar “tenho 53 anos e é a primeira vez que estou aqui. Eu senti que era importante. Nunca vi tantos jovens reunidos para fazer um movimento desse” e confessa “eu tinha medo de vir e ser criticada. Porque a gente é criticado. Tudo o que a gente faz é criticado. Existe muito preconceito. Mas se a gente lutar, muda. É ter fé em Deus, que muda”, garante ela.

A estudante de letras Larissa Alves, de 20 anos, também ficou sabendo da marcha pelas redes sociais, “faço parte do grupo Beleza Negra PE e essa marcha foi divulgada lá. Achei importante vir. A mulher negra ainda é vítima de muita violência, principalmente sexual, em casa e na rua”. “Sofri e sofro muito preconceito. Já disseram que tenho cabelo ruim, que meu cabelo fede, que é duro… A gente veio reivindicar direitos contra o racismo”, comenta a universitária Taciana Gomes, de 26 anos.

Durante a concentração, houve um momento de interação, além de uma palestra sobre o  genocídio da juventude negra no Brasil. Ao longo do percurso o grupo fez algumas paradas, durante as quais entoou gritos contra o preconceito, leituras de cartazes, e discursos inclusive, lembrou Nathália, de uma criança de 7 anos que já lida com o racismo e a violência na escola, “isso emocionou grande maioria presente, e as pessoas que estavam nas ruas e nos ônibus deram incentivo, batiam palmas e quem estava a pé veio caminhando com a gente”. Já no Marco Zero houve apresentações culturais, entre elas de Maracatu.

Para a organização do evento, a participação foi positiva, “o número de pessoas não influenciou no alcance do objetivo da marcha que além de alcançar uma visibilidade incrível e aquecer o debate em torno do racismo, todas as pessoas presentes vestiram a camisa da marcha e se empenharam de corpo e alma com a causa, ali naquele momento não tinha isso de organizador, eram todos se empenhando”, conclui Nathália.

Com informações de Jornal do Commércio e Diário de Pernambuco / Fotos: Júlio Jacobina/DP/D.A Press

Related Posts

Comentários

Comentário