A norte-americana Bekah Miles, 21 anos, postou em seu perfil no Facebook a foto de sua tatuagem. Quem olha de frente lê “I’m fine”, que significa “estou bem”, mas quem vê de cima se dá conta de que a mensagem na verdade diz “save me” (me salve).

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A estudante da Universidade George Fox escreveu: “Para mim, [a tatuagem] significa que outros veem essa pessoa que parece bem, mas, na realidade, ela não está bem. Isso me lembra de que pessoas que podem parecer felizes podem estar em uma batalha consigo mesmas”.

No post, Bekah explica o que depressão significa para ela, como sentir-se triste sem motivo, dormir muito ou pouco, sentir um peso no peito. “Depressão são as lágrimas que eu tenho por não saber o motivo de me sentir tão sem valor, quando eu sei que eu deveria ser feliz”, escreve ela.

Ela diz que foi difícil publicar o texto e a imagem, já que doenças mentais são uma vergonha na sociedade. “Mas isso precisa ser falado”, sinaliza.

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A depressão atinge hoje aproximadamente 7% da população mundial, cerca de 400 milhões de pessoas. Em 16 anos, o número de mortes relacionadas com depressão cresceu 705% no Brasil, mostra levantamento inédito feito pelo jornal O Estado de S. Paulo na metade no ano passado, com base nos dados do sistema de mortalidade do Datasus, onde incluem na estatística casos de suicídio e outras mortes motivadas por problemas de saúde decorrentes de episódios depressivos.

O número total de suicídios também teve aumento significativo no Brasil, que passou de 6.743 para 10.321 no mesmo período, uma média de 28 mortes por dia. As taxas de suicídio são muito superiores às mortes associadas à depressão porque, na maioria dos casos, o atestado de óbito não traz a doença como causa associada.

No Brasil, a faixa etária correspondente à terceira idade é a que reúne as estatísticas mais preocupantes. No caso de mortes relacionadas à depressão, os maiores índices estão concentrados em pessoas com mais de 60 anos, com o ápice depois dos 80 anos. Entre 1996 e 2012, o suicídio cresceu 154% nesta faixa etária.

Segundo especialistas, o aumento de suicídios e de mortes associadas à depressão está relacionado com dois principais fatores: o aumento das notificações e o crescimento de casos do transtorno. “Como o assunto é mais discutido hoje, há maior procura por atendimento médico e mais diagnósticos. Mas também está provado, por estudos epidemiológicos, que a incidência da depressão tem aumentado nos últimos anos, principalmente nos grandes centros”, disse Miguel Jorge, professor associado de psiquiatria da Unifesp.

Fatores externos da vida atual, como o estresse e a grande competitividade profissional, podem favorecer o aparecimento da doença, explica Jorge além do componente genético, que pode predispor algumas pessoas à doença.

No caso dos idosos, a chegada de doenças crônicas incuráveis, o luto pela perda de pessoas próximas e a frustração por não poder mais realizar algumas atividades os tornam mais vulneráveis à depressão e ao suicídio. “Um estilo de vida estressante, o uso de drogas e álcool e insatisfação em diversas áreas são fatores de risco para a doença. Fazer escolhas pessoais e profissionais que ajudem a controlar esses fatores é uma forma de prevenir a depressão”, diz o especialista.

A tatuagem de Bekah Miles, traduz a dificuldade e a urgência em se falar sobre a doença, e ela alerta “Você ficaria surpreso em saber quantas pessoas você conhece que lutam contra a depressão, a ansiedade e outras doenças mentais. Eu posso ser apenas uma pessoa, mas uma pode salvar outra…”.

Fonte: QSocial / UOL / Folha de São Paulo / Fotos: Reprodução

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