O escritor paulista Plínio Camillo, lançará no dia 3 de outubro, o livro “Outras Vozes – Contos sobre o  negro escravizado no Brasil”, uma obra necessária e especial, que aborda a história da escravidão, na visão do personagem principal, o negro.

Com 33 histórias, que misturam ficção e realidade, sob a ótica do escravo. A pesquisa de Plínio foi feita em mais de vinte anos de diversas leituras, e intensos diálogos em família, vasculhando memórias e sentimentos, que no resultado final, emocionam em seu texto.

O livro, publicado pela 11 Editora, trata o escravo como protagonista, tanto vítima como opressor, e passa por factos históricos como a Revolta dos Malês, feita por escravos muçulmanos na Baía do século 19, as viagens em navios negreiros e o trabalho nas fazendas e na cidade.

O autor é graduado em linguística, e é também ator, educador social e, atualmente, trabalha na área de comunicação. Tem publicados o romance “O namorado do papai ronca” e a coletânea de contos “Coração Peludo”.

Conversamos sobre o princípio da ideia de escrever o livro nessa ótica e qual a importância histórica em conhecer a versão do “protagonista”, além dos planos de lançamento fora do país, e o modo como a pesquisa se deu.

N2: Como surgiu a ideia de narrar a história da escravidão a partir do olhar do negro?

Plínio: Gosto de contar histórias. Contar peripécias de algum ponto de vista inédito ou pelo menos não tão usual. Também, pessoalmente, a história do negro brasileiro sempre me interessou e percebi que a “fala, “o pensar” deste negro que foi e/ou nasceu escravizado não havia. Por outro lado, há estudos importante como de Nina Rodrigues, com todas as suas críticas e parcialidades,Clóvis Moura e a literatura como a de Ana Maria Gonçalves (“Um Defeitos de Cor”) entre muitos …Com esta inquietação: ter várias histórias e gostar de escrever,, resolvi cometer alguns escritos, relatando fatos do cotidiano deste negro escravizado,sempre do ponto de vista dele. Que como o qualquer ser humano tem diversas defeitos, qualidades, covardias e ousadias .

N2 – Como se deu a pesquisa? Mais alguém esteve no projeto?

Plínio: Foi complemente ao acaso, aleatória. Sem nenhum critério, apenas guiado pela minha curiosidade.Reli de “Cabana do Pai Tomás” ao “O negro na luta contra a escravidão” de Luiz Luna.De “Contos e Lendas Afro-Brasileiros” de Reginaldo Prandi ao “O Quilombo Do Palmares” de Edson Carneiro.Lendo e anotando, nNo princípio não pensava em escrever: Apenas conhecer. 

N2: Como aconteceu o trabalho de apresentação à editora? E como foi a recepção?

Plínio: Com a Editora nos encontramos nas esquinas cibernéticas. Eles ouviram minhas inquietações e ouvi os desejos deles.Eles quiseram apostar no meu projeto e eu no deles.José Renato e Lea Prado, 11 Editora, receberam o projeto, aceitaram e contribuíram muito para o formato final desta coletânea. Foram criteriosos, geniosos e sensíveis. Tenho gostado muito de atuar em parceria com eles!!!

 

N2: Qual a importância de se conhecer a versão do personagem principal da nossa história, o negro, que foi ignorada por tantos anos?

Plínio: A importância que eu vejo é atiçar a reflexão.Com este pensar avivado, espero que provoque um movimento para a mudança do atual estado. Da posição do negro, da mulher, das relações homoafetivas e de todos nós. 

N2: Já há datas para noites de autógrafo e lançamento? Pretende lançar fora do país?

Plínio: Lançarei em São Paulo, Capital, no dia 3 de outubro de 2015. Será na Galeria Olido (Avenida São João, 473 – Centro). Iniciando as 18hs Há negociações com alguns municípios do interior de São Paulo.Pretendo sim lançar no exterior, estou em tratativas com a editora. 

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