Quem acorda numa sexta-feira de manhã, empolgado com o final de semana, tira uma selfie na frente do espelho, pra expressar toda essa alegria, posta em suas redes sociais e espera um “não curtir”, ou uma cascata deles?

Essa semana, Zuckerberg anunciou que a opção “não curtir” no Facebook está em fase de teste, e que essa era uma vontade geral dos usuários da rede. O que é fato. Desde sempre é possível observar o pedido de ter essa opção no site, no entanto, talvez as pessoas não tenham pensando em como isso poderia afetar seus dias.

É quase absoluto que ninguém publica algo com o objetivo de ser rechaçado, reprimido, ou gozado. No modelo atual, quando se gosta de uma publicação, seja ela, a expressão de um sentimento, uma notícia, a foto instantânea daquela comida especial (ou não) ou o vídeo do final de semana, a pessoa curte, e quando não gosta, não curte. É simples.

E ser ignorado, ou não ser curtido, já não é bom, não é legal. Numa era em que o número de curtidas demostra o grau de relevância que se tem, não ter curtidas, é quase o mesmo que não ser legal, não ser descolado. Estudos já mostram que uma curtida gera uma descarga de dopamina e gera prazer, mas e quando a possibilidade de encontrar uma não curtidas em sua postagem existir? Talvez venha junto a ela, a possibilidade de nem chegar a existir.

Nesse mundo onde a internet é terra sem lei, e parece não haver regras, onde as pessoas são cruéis e fazem espetáculos sobre a opressão do outro, e encontram um público efetivo na manutenção e na reprodução da tirania, do desrespeito e da humilhação do próximo, quem irá se expor para ser a próxima piada da rede?

Uma pessoa pertencente a alguma minoria, pode se tornar um vítima em potencial no Facebook, ao ser alvo de um grupo opressor da vida real, poderá encontrar no mundo virtual, uma espécie de quadrilha especializada em disparar não curtidas a torto e a direito, com uma vítima suscetível e impotente frente a organização do mal que se instala em grupos da própria rede social, entre outros.

Parece apocalíptico, mas não é. É mais comum do que se pensa, a potencialização da depressão em jovens por conta das redes sociais, a pressão para se cumprir os padrões estabelecidos na norma hetero-burguesa (e branca) estampada a cada dia mais, em publicações machistas, racistas, LGBTfóbicas, etc. Dar um instrumento maior de opressão ao alcance de um click a esses grupos, é permitir e perpetuar a exclusão implícita de pessoas que já são marginalizadas no mundo de carne e concreto.

Zuckerberg ainda não disse como o botão vai funcionar, mas afirma que será usado para o bem, como uma forma de “empatia” para publicações mais tristes, onde o curtir é considerado inapropriado, como o falecimento de alguém ou alguma notícia triste, como a dos refugiados.

Na verdade, o que o Facebook busca, não é ser empático com seus usuários, mas garantir lucros, o que a opção do botão com o dedão pra baixo traria, ao conhecer o usuário quanto ao conteúdo que ele não curte, e poder assim, selecionar a melhor publicidade a cada nicho de pessoas.

Entretanto, não é difícil imaginar a desregulação e uso desenfreado desse mecanismo para disseminar ódio e violência, pois o próprio Facebook é cotidianamente usado para esses fins, mesmo não tendo sido criado para tal.

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