Em meio a polêmicas, o britânico Eddie Redmayne arrancou aplausos calorosos e comoveu público e a crítica no Festival de Veneza por sua delicada atuação no longa-metragem “The Danish Girl”, na pele de Lili Elbe, neste sábado. Em entrevistas a jornalistas ele disse “é o melhor roteiro que já li na minha vida”.

A produção dirigia por Tom Hooper (de “O Discurso do Rei”) conta a história de Lili Elbe, a primeira mulher a fazer a cirurgia de redesignação sexual da história. Redmayne já é um dos favoritos a levar o Leão de Ouro de melhor ator e pode ganhar sua segunda indicação consecutiva ao Oscar. No início deste ano, ele levou a estatueta dourada pelo papel de Stephen Hawking em “A Teoria de Tudo”.

Circulam pela internet rumores de que a ideia original era colocar Nicole Kidman no papel, mas a produção pensou melhor e preferiu escolher um homem para o papel, o que gerou uma série de críticas, e até a ideia de um boicote ao filme. Na coletiva de imprensa, o diretor foi questionado sobre as razões de não ter escolhido um ator ou atriz trans para viver Einar/Lile.

“O acesso de atores trans a papeis em filmes é ainda muito limitado. Eu fico feliz e torço muito quando eles conseguem o trabalho. Mas no caso do filme, escolhi Eddie porque ele tem um lado feminino que eu achei interessante explorar”, disse Hooper. “Foi uma escolha instintiva (…) já o conheço desde os tempos em que o nome dele não era uma ajuda tão grande para conseguir dinheiro para produzir um filme”, acrescentou.

Redmayne mergulhou fundo no universo da transsexualidade e poderá repetir no ano que vem o feito raro dos dois Oscars de melhor ator em anos consecutivos, que até hoje só foi realizado por Spencer Tracy, nos anos 1930, e por Tom Hanks, nos 1990.

Extremamente aplaudido assim que entrou na sala de imprensa, Redmayne mostrou certa timidez. Um repórter o elogiou efusivamente. Redmayne agradeceu, ficou vermelho, olhou para o teto e desconversou: “É o melhor roteiro que já li na minha vida. Achei muito tocante, sobretudo porque era sobre uma pessoa trazendo uma outra para lutar pela vida”, disse, referindo-se ao apoio que Lili recebeu da ex-mulher, Gerda.

“Entrei em contato com muitas pessoas do mundo trans e fiquei muito impressionado com a generosidade, a bondade delas. Elas me deram abertura para eu fazer perguntas sobre qualquer assunto que eu quisesse. Foi uma educação para mim”, disse o ator.

O longa baseado no romance “A Moça de Copenhague”, de David Ebershoff, estreia nos Estados Unidos em 27 de novembro, e tem previsão de estreia no Brasil, para fevereiro de 2016.

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