No dia 30 de setembro é comemorado o Dia da Secretária, essas profissionais que muitas vezes trabalham com cargas horárias excessivas, exposição ao humor de patrões, empregados, e clientes, além de contar com o estereótipo de submissão, construído por um patriarcado machista e fetichista.

Para lembrar deste dia, O portal G1 de Pernambuco fez uma reportagem, mas o intuito da mesma não era exaltar o trabalho das profissionais, mas sim relacionar a data ao aumento do faturamento de motéis para este dia.

De uma forma velada, e ao mesmo tempo, displicente, a reportagem ignora o fato histórico dos constantes abusos sofridos por secretárias de seus patrões, que vão de assédio moral e psicológico, ao assédio sexual. De acordo com o Sindicato das Secretárias do Estado de São Paulo,  25% das secretárias que responderam a entrevista assumem que já foram assediadas sexualmente pelos chefes.

De casos famosos, aos inúmeros, que não chegam a somar números nas estatísticas. A reportagem traz entrevistas de donos de motéis e do presidente da associação dos empresários, que “celebram” com prazer o fato. A diretora de marketing,  Liliane Rique, diz que é um assunto delicado e silencioso, “que pode machucar terceiros e, por isso, tentamos não fazer alarde por tudo que é envolvido”.

A reportagem ainda entrevistou os funcionários de motéis, que viram graça com o fato do aumento de 50% do movimento para a data, mas incrivelmente nenhuma secretária foi convidada a dar a sua opinião.

Em todo o mundo, 52% das mulheres economicamente ativas já sofreram assédio sexual, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho). No Brasil, o Ministério do Trabalho e Emprego define assédio sexual como “a abordagem, não desejada pelo outro, com intenção sexual ou insistência inoportuna de alguém em posição privilegiada que usa dessa vantagem para obter favores sexuais de subordinados”.

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