Recebemos um comunicado na noite desta quarta-feira (16), que os índios Guarani-Kaiowá voltaram a ser atacados na tarde de ontem, onde por volta das 17h um grupo de pistoleiros começaram os ataques a tekoha Pylito Kue/Mbarakay.

De acordo com o informativo emitido pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), mais de 200 indígenas Guarani-Kaiowá reocuparam uma parte do tekoha Pyelito kue e Mbarakay – Iguatemi (MS). Os indígenas comunicaram que no fim da tarde já recomeçaram a sofrer o cerco e ameaça de ataque de dezenas de fazendeiros.

Estas terras já foram palco de quatro ataques bárbaros a tiros e violência contra as vidas de indígenas desde 2003. A nova retomada dos Guarani-Kaiowá faz parte da empreitada de retomar às terras tradicionais, de onde foram expulsos no decorrer do século XX, sobretudo a partir da década de 1950.

Entre março e abril do ano passado, a área retomada foi atacada três vezes por “seguranças” de propriedades incidentes no território. Em uma das ocasiões, tiros de grosso calibre foram disparados contra as moradias feitas de lona. Meses depois, em novembro, Adriano Lunes Benites, de 21 anos, foi alvejado na perna por jagunços de uma fazenda enquanto se dirigia à aldeia.

A terra indígena teve 41.571 hectares identificados como tradicionais pela Fundação Nacional do Índio (Funai), no âmbito do Grupo de Trabalho da Bacia Iguatemipeguá, com relatório publicado em 8 de janeiro de 2013 no Diário Oficial da União. Vivem em Pyelito Kue/Mbarakay 1.793 indígenas, conforme dados da Funai de 2008.

Como noticiamos, nas últimas semanas os dos tekoha Ñanderu Marangatu, em Antônio João, e Guyra Kamby’i, na região de Dourados também realizaram retomadas e foram atacados de forma violenta por fazendeiros organizados pelos sindicatos rurais. Em Marangatu, Semião Vilhalva foi assassinado durante uma dessas ofensivas. A índia Daiara Tukano denunciou em um vídeo a omissão da grande mídia na cobertura do massacre, o que em suas palavras “é o maior genocídio da história do país”.

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