O cantor gaúcho Filipe Catto está com o novo álbum “Tomada”, uma verdadeira experiência de imersão e propulsão, eletrizante, plural, de tomada de atitude, de posse, de ocupação e por aí vai. E sua música vem.

Catto deixou Porto Alegre para morar em São Paulo em 2010 depois de entrar em evidência em todo o país ao ter uma canção (‘Saga’, lançada em EP em 2009) incluída na trilha da telenovela ‘Cordel encantado’ (Globo). Em seguida veio o primeiro álbum (‘Fôlego’) e uma série de shows com banda que culminaram na gravação do DVD e CD ao vivo ‘Entre cabelos, olhos e furacões’ (2011).

No novo disco ele vem mais pesado, com nuances de pop-rock, e um repertório que é um escândalo. Além de quatro canções próprias, “Tomada” conta com compositores de diversas origens e estilos, como o pernambucano Zé Manoel (‘Canção’ e ‘Silêncio’), o angolano José Eduardo Agualusa (‘Auriflama’, parceria com a paulista Thalma de Freitas), o baiano Tiganá Santana (‘Íris & Arco’, dele com Thalma e Gui Held), o carioca Fernando Temporão e o mineiro César Lacerda (parceiros em uma das canções mais contundentes do álbum, ‘Um milhão de novas palavras’, sobre os males contemporâneos do Brasil).

Além de Marina Lima (autora de ‘Partiu’, em que toca violão), ele também se envolveu com outros cariocas: Pedro Luís (parceiro em ‘Adorador’), Moska (com quem divide a autoria de ‘Depois de amanhã’). E ainda traz uma versão de “Amor mais que discreto” de Caetano Veloso. O disco foi produzido por produzido por Kassin, já está nas principais plataformas digitais.

Conversamos com Catto sobre o disco novo, suas influências musicais e os preparativos para a turnê, sua participação no Rock in Rio e a gravação de “Amor mais que discreto”.

N2 – Como é o “Tomada”, e como ele aconteceu?

Filipe – É um disco muito especial, que aconteceu a partir de uma necessidade minha de renovar meu repertório, olhar para outros lugares, beber de outras fontes. Queria um disco que ilustrasse o meu universo sonoro e estético, que fosse contemporâneo, atual.

N2 – Qual o seu processo criativo?

Filipe – Das coisas que eu vivo, do dia-dia, das coisas que eu vejo, dos filmes, peças. Muitas coisas me inspiram, todo tipo de arte. Pro disco eu quis não ter muita referência, quis focar no repertório e deixar ele se desenrolar com a banda, com o produtor. Quis ouvir o que as músicas pediam, deixar com que elas falassem

N2 – Como você acha que sua música se estabelece no cenário musical atual?

Filipe – Acho que minha música é o que é, não fico pensando neste tipo de classificação. Quem define isso é o publico, o tempo, a história, não o artista. Sou verdadeiro, quero que minha musica toque as pessoas. O resto é consequencia disso.

N2 – A turnê do “Tomada” já começou? O que o público pode esperar dos shows?

Filipe – Ainda não, começa no final do mês em Curitiba! Estou bem empolgado com este show, porque o repertório do disco é muito bom de cantar ao vivo. Quero que seja um show generoso e bonito, que emocione as pessoas.

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Catto, ao lado de Emanuelle Araújo e Arnaldo Antunes, no Rock in Rio.

N2 – Como foi sua participação no Rock In Rio? E qual sua relação com a música da Cássia Eller?

Filipe – Foi lindo, uma honra poder cantar em homenagem à Cássia com toda a banda dela, os amigos, os parceiros. Eu sou muito ligado ao trabalho da Cássia, ela foi uma das artistas que mais me influenciaram e sou devoto da voz dela eternamente.

N2 – Como foi gravar “Amor Mais Que Discreto” de Caetano?

Filipe – Foi emocionante, eu amo essa música. Quando ouvi ela a primeira vez quase tive um negócio, porque estava falando de mim em primeira pessoa. É maravilhoso quando a composição chega neste lugar dentro do intérprete, de tanta intimidade.

N2 – Como você trabalha com a sexualidade na sua música? Na sua opinião, qual a importância do posicionamento de artistas para dar visibilidade a um movimento?

Filipe – De uma forma natural, como tudo que eu acredito. Minha posição é de liberdade, de respeito, sempre, a todos. E a música tem também esse papel, o artista hoje deve sim usar sua voz e se posicionar. Acho que vivemos em um mundo em transformação, onde cada atitude conta. Só posso exigir respeito respeitando; exigir amor amando. Essa é minha posição.

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