Bidhya Devi Bhandari foi eleita nesta quarta-feira (28) a primeira presidente do Nepal. Ela é membra do Partido Comunista do país e foi eleita pelo parlamento com 327 votos, derrotando Kul Bahadur Gurung, ex ministro da educação do Partido Congresso Nepalês.

O congresso do Nepal possui 601 cadeiras e se tornou uma uma República em 2008 e em 2013 criou sua segunda Constituição. Bidhya lutou para incluir os direitos das mulheres no novo documento, adotado no mês passado. A Constituição nepalense estipula que um terço de todas as cadeiras do Parlamento devem ser ocupadas por mulheres e que o presidente ou o vice-presidente deve ser uma mulher.

Bidhya era deputada e foi ministra da Defesa do país, e após ser designada, ela afirmou a jornalistas que iniciará conversas com os partidos do sul do país contrários à nova Constituição, que protestam e mantêm um bloqueio da fronteira com a Índia. “Considerarei o Himalaia, as montanhas e a região Tarai como um todo”, declarou.

Numa sociedade patriarcal, o forte da sua campanha política foi a defesa de igualdade de gênero na nova Constituição. Lutou pelas quotas de um terço para as mulheres no Parlamento e para  garantir que, entre Presidente e vice-presidente (a eleger esta sexta-feira), um seria mulher.

A nova Presidente entrou na vida política depois que o marido, Madan Bhandari, então líder do partido, ter morrido em 1993, num acidente de viação ainda por explicar. Em 1994, venceu as eleições para o lugar no Parlamento por Katmandu, quando foi ministra da Defesa entre 2009 e 2011. A luta pela igualdade de gênero fez parte do seu percurso político, tendo assumido por quase vinte anos a presidência da Associação por Todas as Mulheres do Nepal – apoiada pelo partido da União Marxista-Leninista.

Além de ser a primeira presidente mulher, ela é a segunda pessoa a ocupar o cargo depois que a democracia foi instaurada. O primeiro presidente foi Ram Baran Yadav, eleito em 2008 e com um mandato estipulado em dois anos, que acabou se estendendo devido à demora na elaboração e adoção da Constituição.

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