O genocídio de jovens negros é o maior escândalo do Brasil nos últimos dias, mas ainda ignorado pela maior parte dos veículos de comunicação. O país vive uma das maiores transformações sociais da história, em que as condições básicas de vida para toda a população estão asseguradas. No entanto, as condições de segurança para toda a sociedade – especialmente o direito à vida – hoje são negadas a um numero cada vez maior de pessoas, particularmente jovens e de origem negra.

De acordo com o Mapa da Violência 2012, dos 56 mil assassinatos registrados no país, 30 mil são de jovens entre 15 e 29 anos. Destes, 77% são negros. Para aprofundar o debate, a Anistia Internacional lançou no início de agosto uma pesquisa sobre a homicídios cometidos pela Polícia Militar, em especial no Rio de Janeiro. Nos últimos cinco anos, homicídios decorrentes de intervenção policial corresponderam em média a 16% do total de assassinatos na capital fluminense.

As famílias desses jovens melhorou inegavelmente de vida na última década, mas se elevou em quase 200% o genocídio de jovens negros, nesses mesmos anos. Nossa polícia é a mais violenta do mundo, e as crianças e jovens dessas famílias pobres, que deveriam merecer atenção, cuidado, e apoio redobrado, passaram a ser sinais de risco, de perigo para a segurança dos outros. 

De acordo com um levantamento realizado pelo Instituto Sou da Paz, com base em dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação junto à Secretaria de Segurança Pública revelou que as vítimas de chacinas são ainda mais jovens que as de homicídios praticados no estado de São Paulo. “Entre as vítimas em chacinas quase 28% delas na faixa entre 15 e 19 anos e, comparado com homicídio normal, esse número não chega a 8%”, afirma Bruno Langeani, coordenador do instituto.

Enquanto essas crianças e jovens são vítimas de mais de 1/3 dos crimes cometidos no Brasil – na sua grande maioria pela polícia -, eles são responsáveis por menos de 2% dos crimes cometidos. Mas de forma orquestrada pela opinião pública, criou-se na cabeça das pessoas, a imagem de que as crianças e jovens são os responsáveis pelo aumento dos problemas de segurança da sociedade.

Essa ideia dá sustentação às chacinas dos jovens negros, e legitimidade ao extermínio, numa sociedade que não se choca com a situação da população negra, invisibilizada pela mídia, onde os que morrem, os que estão amontoados nas prisões, não são seus filhos da burguesia. Ao mesmo tempo, as classes dominantes clamam por uma justiça que lhes abarquem, e que apenas as assegurem.

Eles simplesmente não entenderam que não adianta colocar grades nas suas casas e nos seus prédios, fechar ruas, contratar polícias privadas para seus bairros e até mesmo seguranças pessoais. Não adianta mais câmaras de vigilância, de nada serve autorizar e incentivar a policia para assassinar essas crianças e jovens, quando na verdade o que deveria existir é a segurança para todos, a garantia de vida, de integridade física, direito de ir e vir, direito de viver.

As crianças e jovens negros são mortos diariamente e impunemente porque a mídia vendeu à imagem desumanizada deles, onde a polícia tem o aval e o poder “cruel” de nos defender do perigo, e os números mostram quem está em perigo. O número de pessoas mortas por policiais em serviço, só no estado de São Paulo, aumentou 105% entre 2013 e 2014, saltando de 346 para 708 óbitos. Somente no primeiro semestre de 2015, foram 358 pessoas mortas pela polícia, um aumento de 9,8% comparado ao mesmo período de 2014.

Com informações de Anistia Internacional, Carta Maior e Agência Brasil

Related Posts

Comentários

Comentário