Tudo corria como um dia corriqueiro dentro do metrô de Pequim (China), quando um rapaz, de repente, se ajoelha e pede seu namorado em casamento. As pessoas que assistiam a cena, logo pegaram seus smartphones e começaram a gravar tudo.

Milhares de usuários do Weibo, a principal ferramenta de mídia social chinesa, vêm mencionando o episódio. Um vídeo foi postado pelo usuário Bai Yiyan Vina mostra o momento em que o rapaz faz o pedido. “Estava, como de hábito, pegando o trem para casa, mas encontrei de forma inesperada um casal apaixonado. Foi incrível!”, postou ele.

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Os dois homens não poderão se casar na China. A legislação do país não prevê uniões do mesmo sexo, mas vários casais chineses já viajaram para se casar nos EUA, incluindo os ganhadores de um concurso promovidos pelo site Alibaba.

E, embora alguns passageiros no metrô tenham gritado palavras de ordem contra o casal, a maioria dos comentários no Weibo mostrava apoio ao romântico pedido. “Aos que chamaram (o episódio) de nojento: vocês não são qualificados para julgar os outros”, foi um comentário curtido mais de 600 vezes. Outro post popular elogiou o casal pela coragem de expressar seus sentimentos. Uma proporção menor de usuários discordou e algumas mulheres aproveitaram para lamentar sua falta de sorte na procura de um parceiro.

Em julho, a decisão da Corte Suprema dos Estados Unidos de legalizar o casamento gay teve grande repercussão na China. Mas os dois países têm dinâmicas bem diferentes na abordagem política na questão dos direitos das minorias sexuais, de acordo com Timothy Hildebrandt, professor do departamento de Ciências Sociais da London School of Economics e estudioso do movimento LGBT na China.

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O professor explica que as atitudes dos chineses em relação à homossexualidade variam imensamente. Há desde os que jamais encontraram uma pessoa abertamente gay ou transexual e sequer saibam o que é a homossexualidade aos que acreditam que ela não existe na China. Ao mesmo tempo, porém, há o crescimento da aceitação de gays, transexuais e transgêneros em áreas urbanas.

Em 2001, a homossexualidade foi removida da lista de doenças mentais da Associação Chinesa de Psiquiatria. Campanhas de prevenção ao HIV ofereceram aos grupos gay chances de falar sobre seus problemas. Mas Hildebrandt ressalta que os efeitos da “política do filho único” chinesa – que durante décadas multou casais que tivessem mais de uma criança – aumentaram a pressão sobre filhos únicos.

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Segundo Hildebrandt, muitos pais veem o fato de seu filho único ser gay como o fim do sonho de terem netos. “É uma pressão desproporcional sobre gays. Mas as atitudes estão mudando, assim como no resto do mundo. Por meio de mídia sociais, as pessoas na China estão aprendendo sobre direitos LGBT”, completa.

 

 

 

Com informações da BBC

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