As cotas sociorraciais nas universidades fazem parte das novas conquistas socio-históricas dos últimos tempos. Em vigor desde 2012, elas pretendem ser reforçada agora em 2016 com uma reserva (o impulso da Lei de Cotas) de 50% das vagas para estudantes negros e oriundos da escola pública.

Mas por mais avanços que se encontra com elas, sempre há aqueles que não entendem (entenderam) o contexto histórico e urgente em que elas foram inseridas e concebidas, e mediante a essa desinformação, seja proposital, com o intuito de confundir e disseminar falácias, ou seja por mera falta de conhecimento, selecionamos os principais mitos sobre a política de cotas.

1. Cotas são inconstitucionais e ferem o princípio da igualdade

Em 2012, a Suprema Corte Federal rejeitou por votação unânime uma ação contra o programa de cotas raciais da UnB, pois entenderam que as ações afirmativas estariam longe de criarem qualquer discriminação, por serem fatores de correção de desigualdades históricas. Ao garantir oportunidade de acesso à educação e ao trabalho, previsto na Constituição, também confere ao Estado o dever da promoção da igualdade. Sendo assim as cotas não geram desigualdade, elas combatem a desigualdade.

2. Cotas subvertem o princípio da meritocracia

Meritocracia em si já é um contexto muito duvidoso, não?! Mas enfim, os vestibulares e concursos públicos são apenas uma das formas de selecionar candidatos e não garantem necessariamente a classificação dos mais inteligentes e capazes para as vagas, um exemplo disso é o bom desempenho dos alunos cotistas em faculdades públicas e privadas, comprovado por diversas pesquisas.

3. Cotas maquiam má qualidade do ensino básico

Os problemas com a educação só bem conhecidos no país e estão, ainda que de forma lenta e gradativa, sendo remediados, e isso não pode ser um empecilho na adoção simultânea de políticas compensatórias para as gerações que sofreram com a baixa qualidade do ensino. As cotas são uma forma de quebrar o ciclo de exclusão que impede o pobre e o negro de ascender socialmente.

4. Cotas rebaixam nível acadêmico das universidades

Diversas pesquisas revelam que o desempenho de alunos cotistas no ensino superior é similar ou superior ao alunos não cotistas. Na UFMG, por exemplo, que passou a adotar políticas afirmativas em 2013, as notas dos cotistas chegam a ser até 50% superiores em alguns cursos.

5. Cotas não garantem permanência dos alunos nas universidades

Uma pesquisa recente da UnB não encontrou diferença significativa entre os dois grupos, ao contrário do que se dizia, que haveria uma maior evasão, supostamente causada pela falta de qualificação dos alunos, os cotistas têm demonstrado mais perseverança e concluem os cursos tanto ou mais que os demais universitários.

6. Cotas raciais poderiam criar tensões étnicas no país

Com políticas públicas de inclusão de negros, pardos e indígenas, adotadas em instituições públicas no Brasil há mais de uma década não há notícia conflitos, a não ser os pequenos decorrentes de preconceito e desinformação. A inclusão, pelo contrário, tem sido benéfica para aumentar a diversidade étnica e social nas universidades públicas.

7. Cotas raciais são uma discriminação contra os brancos pobres

A adoção das cotas sociorraciais vem sendo estruturada e realizada de forma concomitante com políticas afirmativas relacionadas a renda, onde os critério de ingresso são alunos de escola pública. Mas não se pode negar o grau de exclusão histórica que a população negra foi negligenciada, e a demanda de ação específica que lhe é exigida.

Com informações do Portal Brasil

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