Então você precisa assistir! E é agora. O filme é uma produção norte-americana, ambientada no Irã, filmada em preto e branco, na Califórnia, falada em persa. Tá pouco indie pra você? A história se passa nos anos 80, na cidade de Bad City, uma cidade iraniana fantasma, local perfeito para viciados, prostitutas e cafetões, e claro, para a garota sombria que caminha pela noite, vestida de burqa, enquanto anda de Skate.

O enredo não é banal. A garota misteriosa é uma vampira quase justiceira, tem um quê de feminista, mas não chega a levantar e bradar bandeira. Ela simplesmente persegue homens, em sua maioria, os que agiram de forma estúpida ou exploratória com as mulheres da cidade.

A trama muda quando ela encontra um “drácula chapado” (Arash Marandi), e o que era pra ser uma presa fácil pra ela, torna-se uma reviravolta eletrizante e muito bem elaborada. O filme é cheio de um dos maiores clichês de filmes indies, que são os momentos arrastados e loooooonnngos, com uma música cool ao fundo, mas o mais incrível é que você não consegue tirar os olhos desses momentos.

O clima é desolador, e a fotografia conseguiu de uma forma nada singela transpor o limite da história e nos prender, mesmo com enxertos gordurosos de cena, pela magnitude da construção da montagem e fotografia, ora com pouca luz, ora com luz estourada, deixando a atmosfera das personagens, que são simples, tornarem-se tão complexas de significados.

A maestria dessa pequena obra prima é da diretora Lily Amirpour (também roteirista do filme), e é baseado no romance gráfico de Amirpour. Uma produção em curta-metragem com o mesmo título gravado por ela foi exibido em festivais e ganhou o premio de Melhor Curta-Metragem no Noor Iranian Film Festival.

Sheila Vand (Argo) é a garota, e sua interpretação é de dar uma angústia absurda. Durante todo o filme ela se expressa por meio de olhares. O filme tem poucas falas, o que é uma jogada arriscada, mas que Amirpour e Lyle Vicent, diretor de fotografia tiraram de letra.

E para isso, contaram com uma trilha sonora primorosa de Jay Nieremberg, que dá o clima o tempo todo, desde às cenas emblemáticas alongadas, até as substituições da falas pelas expressões de Vand e Marandi, mesclando variados estilos que se encaixam perfeitamente ao expressionismo estético dos quadros.

Garota Sombria Que Caminha Pela Noite é uma experiência cinematográfica interessante, com um argumento vigoroso e uma montagem muito bem construída, que cumpre com as expectativas e vai além.

Assista ao trailer:

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