O governo dos Estados Unidos derrubou nesta segunda-feira (21) a proibição de 30 anos para doação de sangue por homens gays. Agora eles podem doar após 12 meses do seu último contato sexual com outro homem.

Para a agência FDA, para alimentos e medicamentos dos Estados Unidos  a decisão de reverter a política teve como base um exame dos últimos dados científicos que mostram que uma proibição indefinida não é necessária para prevenir a transmissão do HIV, o vírus que causa a Aids.

“No fim das contas, a janela de 12 meses de espera é apoiada pela melhor evidência científica disponível, neste momento, de relevância para a população dos Estados Unidos”, declarou o vice-diretor da divisão biológica da FDA, Peter Marks, em comunicado.

No Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia já adotavam a mesma política, no entanto, defensores dos direitos gays afirmam que a nova premissa ainda continua sendo discriminatória. “É ridículo e contrário à saúde pública que um homem gay casado numa relação monogâmica não possa doar sangue, mas que um homem heterossexual promíscuo, com centenas de parceiras sexuais no último ano, possa”, declarou o parlamentar democrata Jared Polis.

Segundo a FDA, o trabalho com outras agências do governo tem sido intenso e considerado a contribuição de organismos externos e “cuidadosamente examinado as evidências científicas mais recentes disponíveis para sustentar a revisão da política”, a agência declarou que suas políticas têm ajudado a reduzir a transmissão de HIV por transfusão de sangue de 1 em cada 1.200 para 1 em cada 1,47 milhão.

Na América Latina

Na Argentina, as restrições para doação para homossexuais caíram em setembro, uma reivindicação de mais de uma década da comunidade gay. O país seguiu o modelo adotado no México, Cuba, Peru, Nicarágua e Chile, que eliminaram nos últimos anos proibições expressas para que homossexuais ou bissexuais não doassem sangue.

“A fim de avançar no sentido de um Sistema Nacional de Sangue seguro, solidário e inclusivo”, o ministério da Saúde da Argentina apresentou os novos requisitos que colocam “um fim a uma longa história de discriminação institucional contra a comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros)”, informou o ministério.

A comunidade homossexual comemorou este passo do sistema de saúde da Argentina, um dos países mais avançados no reconhecimento dos direitos dos gays, lésbicas e transgêneros.E entre os países latino-americanos que ainda proíbem explicitamente homossexuais de doar sangue estão El Salvador, Costa Rica, Venezuela e Brasil.

No Brasil, portarias do Ministério da Saúde tratam como “inaptos temporários” à doação homens que tiveram relações com outros homens. A medida foi adotada na década de 1980, auge da epidemia de AIDS, e ainda segue vigente. No entanto com testes de HIV cada mais mais modernos e precisos, ativistas afirmam que a exclusão é antiética e sem justificativa científica. De acordo com as regras vigentes, um gay pode ser considerado “apto” para a doação caso fique um ano sem ter relações sexuais.

 

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