Final de ano, as listas marcam presença, e na música não seria diferente. A safra de novos artistas desse ano foi incrível, além dos já consagrados cantores em versões renovadas e contemporâneas, e releituras interessantes da música genuinamente brasileira, com reverência à história e com um olhar nas novas possibilidades musicais.

E o que toda essa produção resultou? Em ótimos lançamentos, onde listamos simbolicamente, os 10 melhores discos nacionais de 2015, aumenta o som e vem com a gente nessa descoberta ou redescoberta.

10 – #1 – Jaloo

O disco de estreia do paraense Jaloo é uma pretensiosa aposta na música eletrônica, num misto de sons brasileiros, com batida pop atual. Com refrões fortes e bem construídos, ele brinca com as referência e traduz de uma maneira inusitada a possibilidade de um pop verdadeiramente brasileiro. Um disco necessário para o cenário musical desse ano de grandes surpresas.

9 – A Praia – Cícero

Seguindo sua identidade intimista, o carioca Cícero traz um disco fluido com composições precisas e letras rápidas. Muitos superior que seus antecessor (Sábado), A Praia é um passeio, um aconchego, uma viagem numa rede que balança leve e calma, ouvindo o barulho do mar.

8 – Paralelos e Infinitos – César Lacerda

O cantor e compositor César Lacerda traz um disco emocionado e emocional, com uma característica marcante, ele canta com um encanto que surpreende. A voz é forte, bem colocada num grave que reconforta. Não tem como não se apaixonar por esse disco.

7 – Tomada – Filipe Catto

O disco que tomou a direção e mostrou um cantor livre, que interpreta com gritos de dor e amor, e não se amarra a termos e receitas. Catto fez mais do que óbvio e tirou fôlego ao renovar as certezas da espera pelas mais belas palavras de forma natural.

6 – Dancê – Tulipa Ruiz

Tulipa por si é novidade, a cantora sempre gosta de inovar em seus trabalhos, e em Dancê não foi diferente, ela traz uma série divertida, numa versão urbana, e como o nome do disco sugere, muito dançante. Um trabalho para cair na pista, e se embebecer do ritmo fluido que segue do início ao fim.

5 – Eu vou fazer uma macumba pra te amarrar, maldito – Johnny Hooker

Misturando brega, com frevo, numa mistura indie de MPB e POP, Hooker traz uma pulsão de vida e de noite recifense em seus versos dramáticos, carregados de entrega e poesia. Além de contar com um repertório que narra a saga de um amor marginal, que passa por fases até lavar a alma, num desbunde geral eletrizante, ele mantem a emoção das canções na experiência do ao vivo, digna de espetáculo.

4 – Selvática – Karina Buhr

Karina flerta com todos os aparatos musicais que dispuseram a ela, criando uma sonoridade difícil de classificar, até porque, assim é Karina Buhr. Uma das cantoras mais autorais, mais biográficas, mais legítimas da cena atual, ela assina sua marca feroz e contundente num disco cheio de complexidades, passando do intimista ao raivoso em duas notas, numa obra de combate e contemplação.

3 – Estratosférica – Gal Costa

A entrega de Gal na interpretação é monstruosa. Quando pensamos em quão consagrada a cantora baiana é, e que ela não precisaria se reinventar, porque tudo o que já fez dá suporte para toda a vida, aparece o Estratosférica, um repertorio vivo, atual, uma cantora livre e sensível, com a atmosfera completamente renovada, um registro que não representa só uma nova direção, mas a possibilidade em percorrer qualquer caminho.

2 – Estado de Poesia – Chico César

O novo disco de Chico César apresenta um compositor apaixonado, um intérprete emocionado e um cidadão incomodado. É duro e poético na medida certa, em uma sonoridade completa, que chega a doer de tão bem composto. É uma obra de arte. É de se ouvir embasbacado, mas sem se deixar acomodar. Ele canta para dançar, e canta pra incomodar. Ele canta pra mandar o recado, pra unir as relações desalinhadas, e pra encantar quem se deixou contagiar pela melodia cuidadosamente disposta.

1 – A mulher do fim do mundo – Elza Soares

Que o disco é incrível todo mundo sabe. Tanto que é o mais premiado de 2015 e recebeu as críticas mais calorosas do ano. Aos 78 anos, Elza é feroz ao cantar, é humilde ao se reinventar e entrega uma das obras mais incríveis da MPB. Um álbum desafiador, enérgico e competente do início ao fim. Um retrato da nossa realidade e da emancipação social, um trabalho daqueles momentos que fica pra história, e um souvenir afrontoso que ao término nos faz reverenciar essa artista e ovacionar a oportunidade de ter podido encontrar e poder aplaudir essa mulher do fim do mundo.

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