O movimento feminista maranhense “Coletivo Fridas” divulgou na última segunda-feira (11) uma nota de repúdio ao colégio particular “O Bom Pastor”, em razão de sua lista escolar, considerada sexista. Segundo o grupo, a escola particular pediu, como material opcional de apoio pedagógico e lúdico, um “kit de ferramentas (médico ou bombeiro)” para meninos e um “kit cozinha ou cabeleireiro” para meninas.

De acordo com a nota, o pedido da escola estaria reforçando e naturalizando o machismo e o sexismo. “Dessa forma, essas meninas são ensinadas que seu papel na sociedade é estar em casa, calada e obediente. A elas, não são dadas a oportunidade de sonhar com um carrinho, super heróis ou brinquedos que trabalhem o desenvolvimento psicossocial da criança”, diz o texto.

lista sexista

O coletivo ainda enfatiza que tais comportamentos reforçam a “lógica do patriarcado machista, que tem como consequências a misoginia e a violência à mulher”, onde a mulher é doutrinada, de forma sexista, para brincar com utensílios domésticos, minando-as da perspectiva da autonomia para o mercado de trabalho, como por exemplo, as profissões de médicas e bombeiras.

O colégio “O Bom Pastor” respondeu por sua rede social, afirmando que os pedidos estão de acordo com “preceitos dos Parâmetros Curriculares Nacionais” e os “objetivos educacionais propostos pela própria LDB 9394/96 (Lei de Diretrizes de Base da Educação)”.

Segundo a assessoria da escola a lista não “reflete preconceito numa esteriotipação de brincadeiras exclusivas para meninas ou meninos” porque a prática, em sala de aula, ocorre em “perspectiva de interação e envolvimento de todos os alunos, independente de sexo ou gênero”.

A escola também afirma que o pedido foi feito para que os materiais didáticos fossem dispostos “em quantidades equilibradas, de modo a permitir a variedade necessária” e que a aquisição é “opcional” (leia o texto na íntegra abaixo).

Leia a íntegra da nota de repúdio do Coletivo Fridas:

NOTA DE REPÚDIO AO COLÉGIO O BOM PASTOR – São Luís (MA)

Em tempos de ‘primavera das mulheres’, ainda existem instituições que reforçam e naturalizam o machismo. O sexismo, que consiste em determinar papeis de gênero diferentes para homens e mulheres através de práticas que corroboram com a submissão do gênero feminino pelo masculino, é ainda bastante comum na educação formal e informal de crianças e adolescentes. Segundo a lógica patriarcal, mulheres foram destinadas a cuidar do marido, da casa e dos filhos, ser submissa, estar sempre dentro do padrão de beleza e obedecer ao homem. Crianças são submetidas à essa lógica, quando por exemplo, meninas recebem brinquedos de cozinha, cabeleireiro, de cuidar da “casa” (vassourinhas, ferros de passar, etc). Dessa forma, essas meninas são ensinadas que seu papel na sociedade é estar em casa, calada e obediente. A elas, não são dadas a oportunidade de sonhar com um carrinho, super herois ou brinquedos que trabalhem o desenvolvimento psicossocial da criança. Repudiamos essa instituição, que reforça a lógica do patriarcado machista, que tem como consequências a misoginia e a violência à mulher. Acreditamos que nossas crianças devem ser livres para sonhar, imaginar e acreditar de acordo com o seu tempo e sem imposições de gênero. Meninas podem sim brincar de carrinho, usar azul, serem médicas ou bombeiras. Por uma sociedade menos sexista!

Leia a íntegra da nota da escola “O Bom Pastor” abaixo:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Vimos por meio de este esclarecer questionamento que nos fora feito acerca de eventual prática discriminatória que porventura estaria presente no modo como a lista de materiais didáticos para o ano letivo de 2016 fora organizada, particularmente no tocante aos brinquedos nela solicitados, pelos quais passamos a esclarecer:
1. De acordo com a proposta sócio-interacionista da escola, os materiais de apoio pedagógico (lúdico e de faz de conta) são essenciais para o desenvolvimento da criança, dentro da perspectiva piagetiana e vygostkiana, segundo preceituação contida nos próprios PCN’s (Parâmetros Curriculares Nacionais). Cumpre ressaltar que seguir tais orientações representa um imperativo no sentido da consecução dos objetivos educacionais propostos pela própria LDB 9394/96 (Lei de Diretrizes de Base da Educação), bem como do PPP (Projeto Político Pedagógico) de nossa Instituição;
2. O modo como a lista de materiais fora organizada, em momento algum pressupõe juízo de valor institucional no que tange a tratamento particularizado de gênero, tampouco reflete preconceito numa exteriotipação de brincadeiras exclusivas para meninas ou meninos, inclusive, porque a realidade da prática de sala de aula ocorre, consoante anteriormente aludido, numa perspectiva de absoluta interação e envolvimento de todos os alunos, independente da caracterização indentitária de sexo ou gênero, algo que é rotineiro no trabalho desenvolvido em sala de aula;
3. Por fim, destacamos de forma inequívoca, serena e convicta que a organização dos materiais didáticos dispostos em nossa lista reflete, tão somente, uma forma didática de os brinquedos solicitados serem recebidos em quantidades equilibradas, de modo a permitir a variedade necessária. Frisamos ainda que a aquisição dos referidos brinquedos é OPCIONAL, sendo permitido, inclusive, que as famílias ofertem outras opções, visto que o que de fato é relevante para nossa Instituição é garantir o “BRINCAR”, bem como o pleno e integral desenvolvimento de nossas crianças.
Resta-nos acreditar que este eventual mal entendido esteja definitivamente esclarecido, e embora certos disso, renovamos nossa vocação permanente pela qualidade de nossos serviços, presteza de nossas ações e atinência as anseios de nossas famílias e da comunidade em geral, de tal modo que reavaliaremos mecanismos mais eficazes ainda para evitar possíveis interpretações extensivas que não refletem a forma de pensar e menos ainda de agir de nossa Instituição, ratificados por mais de 30 anos de excelência nos serviços educacionais por nós prestados.
São Luis (MA), 11 de janeiro de 2016

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