No último sábado (23), uma mulher tirou a blusa durante uma prévia de carnaval em Teresina (PI), o fato em si poderia ter passado batido se não fosse o alvoroço feito pela população que estava no local, solicitando a prisão da moça, e outros registrando o momento em vídeos e fotos. Mas o que realmente chamou a atenção, foi a atitude da delegada responsável pelo caso.

A delegada da Mulher Vilma Alves não considerou a atitude da moça como crime, pelo contrário. “Era um momento de alegria e ela quis expor o corpo. A sociedade tem que respeitar isso”, analisou ela. Por outro lado, a delegada chamou atenção para duas atitudes que podem ser consideradas crime: o fato de terem filmado e divulgado as imagens – mesmo ela tendo mostrado os seios em local público – e o fato de um homem ter tocado os seios da moça.

Sobre a reação da sociedade ao julgar a moça, a delegada questionou sobre a hipocrisia e alertou para o machismo do ato. “A gente vê mulher sem roupa todo dia, principalmente nesse período de carnaval. Não é crime isso. O corpo é dela. Foi um ato ousado, mas foi simplesmente uma jovem feliz que quis expor o corpo. O problema é dela. Isso não é crime. Crime é roubar, matar, assaltar”, argumentou sobre a reação da sociedade ao julgar a moça.

“A sociedade tem que respeitar o corpo da mulher. Se filmar e divulgar sem autorização, ela pode processar. E se o homem se aproveitou da situação, também é crime. Não é porque ela se expôs que alguém tem direito de se aproveitar. Homem não tem que ser macho. Homem tem que ser homem”, esclarece.

História de Luta

Vilma é reconhecida há muitos anos por lutar contra a violência à mulher, e assumiu neste mês o Núcleo do Feminicídio no Piauí, que é uma delegacia especializada nos crimes contra a mulher. Em entrevista a um programa local, ela falou sobre a sua satisfação em assumir o cargo e que vai ser mais uma ferramenta de qual vai fazer bom uso para combater a violência contra a mulher.

Ainda durante a entrevista, mandou recado aos homens, “sabemos que nós mulheres sempre lutamos contra a violência à mulher, então é mais uma conquista eu poder chegar a esse cargo, para trabalhar contra esse crime que é o feminicídio que acontece diariamente”, disse a delegada.

No ano passado, o Piauí ficou com a segunda maior taxa de denúncias de violência pelo Ligue 180, com 44 ligações a cada 100 mil mulheres, perdendo apenas para o Distrito Federal, com 60 casos, e seguido por Goiás, com 35 registros.

Segundo dados do Mapa da Violência 2015 o número de mulheres assassinadas em Teresina entre 2003 e 2013 teve aumento de 84,5%. Já com relação a todo o Piauí, em uma década, 399 mulheres foram assassinadas no estado. Comparado os casos registrados em 2003 (32 mortes) e 2013 (47 mortes), o aumento foi de 46,9%. Quando computada a taxa de homicídio, o estado apresentou um aumento de 34,5% no mesmo período, tendo o 14º maior crescimento entre os demais estados.

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