Ser LGBT, mais do que uma característica, é um processo, uma identidade. Identidade esta que, devido aos valores e símbolos hétero e cisnormativos presentes em várias sociedade, no caso, no Brasil, encontra obstáculos para ser firmada. É comum LGBTs crescerem escondendo seus desejos, suas expressões e até mesmo o seu próprio eu. Os valores sociais são tão internalizados, que os LGBTs se vêm em conflitos entre o que sentem e o que são com o que deveriam sentir e ser. Por isso tantos armários.

“Estar no armário” é a expressão popular adotada para não ser assumido. Este período é motivado por várias razões, que variam de pessoa para pessoa e de fases; mas os principais sentimentos que geralmente acompanham essa fase são: insegurança, medo, vergonha e pressão social.

A superação dessa fase exige várias estratégias, mesmo que inconscientes: buscar apoio, referências, informações etc. E, a partir dessas necessidades e estratégias, o tema “Divas, cultura pop e jovens LGBTs” do próximo encontro do Projeto Purpurina, que será realizado no dia 17 de janeiro, a partir das 15 horas, busca assimilar o ser LGBT com os valores por trás do pop e das divas.

A cultura pop abrange diversos meios: filmes, séries, quadrinhos, arte e, claro, a música. Por meio de diversos meios, gêneros e elementos – tais como criação de artes, super heróis e divas – ela levanta diversas questões sociais: sexualidade, questões de classes sociais, liberdade. Desta cultura, surgem as divas do pop, que são muito valorizadas pelos jovens LGBTs. Por que será?

IMG-20160107-WA0011

As divas do pop são símbolos de poder, de resistência. Por meio de suas performances e músicas, elas passam diversos valores, entre eles a liberdade, a sexualidade e a autonomia do próprio corpo e da própria vontade.

Embora nem sempre façam referências diretas aos conflitos dos LGBTs, elas resistem a outros paradigmas: o direito da mulher a ter sexualidade; quebram, algumas vezes, padrões de estilo; quebram limites de idade e de classes sociais. Além de tudo, várias ajudam em causas sociais e campanhas relacionados ao fim do bullyng LGBT e, algumas são declaradamente LGBT.

Então existe relações entre aceitação, ser LGBT e cultura pop e essas ligações ajudam a tocar em assuntos delicados de forma descontraída e com uma linguagem jovem. O intuito é uma conversa fluída, educativa e de acolhimento.

Quando: dia 17 de janeiro a partir das 15 horas

Onde: Rua Major Sertório, 292 – Metrô República

Projeto Purpurina – GPH ( Grupo de pais de homossexuais)

O Projeto Purpurina faz parte da ONG GPH, o qual tem como objetivos: a (re)aproximação do jovem LGBT com a sua família, aceitação dos pais e a auto aceitação e integração do jovem LGBT na sociedade; para isso é dividido em projetos: O amor vence, Projeto travessias, Projeto universidades e Projeto Purpurina.

O Projeto Purpurina surgiu como uma extensão do GPH, mas é direcionado aos Jovens LGBTs na média dos 13 aos 24 anos. Assim como o Amor vence, o Projeto Purpurina também mantém a privacidade, para a segurança e confiança dos jovens. As reuniões do Projeto Purpurina são planejadas e organizadas pelos jovens coordenadores – que são LGBTs – junto com a fundadora da ONG, Edith Modesto e com os educadores e psicólogos da ONG.

É dividido em vários momentos: O momento Sidinha (de SIDA, que é a sigla da AIDS), no qual falamos sobre sexo e prevenção; o jornalzinho, momento no qual passamos as principais notícias do mês, relacionados aos LGBTs; debate do tema, este que é escolhido pelos próprios participantes, e o momento do lanche, que é o momento em que os jovens podem se conhecer melhor, dançar, cantar, conversar etc.

O encontro acontece mensalmente e tem como objetivos a inserção do jovem LGBT em sociedade, trabalha com o protagonismo juvenil e, antes de qualquer coisa, é um ambiente que trás o acolhimento e a integração do jovem ao grupo.

Related Posts

Comentários

Comentário