O jornalista Lufe Steffen, conhecido por reportagens icônicas no site Virgula, está lançando o livro “O Cinema que Ousa Dizer Seu nome”, que mostra e analisa como foram realizadas as produções de livros, filmes e curta-metragens com temática LGBTs nos últimos anos no Brasil.

Entre os entrevistados no livro estão nomes como Daniel Ribeiro (diretor do mundialmente premiado “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”), Dácio Pinheiro (realizador do documentário “Meu Amigo Claudia”, que narra a trajetória da artista travesti Claudia Wonder), Filipe Matzembacher & Marcio Reolon (diretores do longa “Beira-Mar”), Marcelo Caetano (premiado por curtas como “Bailão”), e os integrantes do coletivo (sediado em Recife) Surto & Deslumbramento.

Em entrevista ao Virgula, ele explicou que o projeto surgiu da necessidade de documentar as histórias e catalogar, através de entrevistas, como essas histórias surgiram. “Acho importante, como cineasta brasileiro ligado nos temas gays, ver o que meus colegas conterrâneos estão fazendo, acredito que isso abre horizontes.”

Também Cineasta, Lufe tem 11 filmes focados no mundo gay, e no processo de construção do livro, o autor entrevistou outros 23 realizadores brasileiros com trabalhos ligados ao universo LGBT, e a si próprio. “Foi um processo rico e vertiginoso, porque me vi assistindo um panorama de filmes produzidos de 1999 a 2015. É um período de muita efervescência dessa produção temática. Espero que os leitores sintam isso também”, anuncia o autor.

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De acordo com Lufe, o segmento T (travestis, transexuais e transgêneros) é o mais discriminado entre os integrantes da comunidade própria comunidade LGBT. “A sigla T continua sendo a mais enigmática do rótulo LGBT, não por culpa dos / das Ts, é claro, e sim por preconceito e ignorância da sociedade em geral. Mas até esse panorama também está mudando. De uns 5 anos pra cá, muitos filmes (de ficção ou documentário) têm abordado a sigla T – seja no âmbito de travestis, como no de transexuais.” argumenta.

“O cinema europeu sempre foi mais ousado ao lidar com a questão LGBT. Então existem filmes maravilhosos nos anos 60, 70, 80… Destacaria “Querelle” (1982, Alemanha, de Fassbinder), “You Are Not Alone” (1978, Dinamarca), “Minha Adorável Lavanderia” (1985, Inglaterra). Também seria legal citar o franco-canadense “CRAZY” (2006), o francês “Canções de Amor” (2008).”

No Brasil, Lufe ressalta a importância das produções dos últimos e o crescente debate que vem sido levantado pelas questões LGBTs. “Acho até que nos últimos tempos tem aumentado bastante, esse universo tem sido ampliado nas artes em geral. Claro que ainda há muito por fazer, muitos caminhos para serem trilhados, mas acho que tem avançado bem”.

 Assista ao Naftalufe sobre a trajetória dos clipes no Brasil:

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