Todos os anos é possível usar e reproduzir livremente livros e outras obras que já não estão mais sob proteção da Lei de Direitos Autorais. No Brasil e na Europa, isso acontece 70 anos após a morte do autor. Por isso, desde o dia primeiro o polêmico “Minha Luta”, escrito por Hitler, um misto de autobiografia e manifesto nazista está em domínio público.

Hitler começou a ditar o livro para Emil Maurice enquanto estava preso em Landsberg, e depois de Julho de 1924 passou a ditar para Rudolf Heß, que posteriormente, com a ajuda de especialistas, aos poucos editou o livro. Por sua peculiar natureza verbal, a obra original mostrou-se repetitiva e de difícil leitura, por isso precisou ser editada e reeditada antes de chegar à editora. Ele foi dedicado a Dietrich Eckart, membro da Sociedade Thule.

No começo do ano, algumas editoras anunciaram a republicação da obra, mas uma delas, a Edipro, voltou atrás da decisão, a ideia era colocar nas livrarias a tradução de Julio de Matos Ibiapina, feita nos anos 1930. Em nota, a Edipro conta que recebeu críticas de leitores e que a publicação poderia ser mal interpretada. “O livro poderia ser mal entendido pelo público leitor tendo consequências maléficas a todos aqueles que tiveram seus direitos humanos desqualificados ou vilipendiados, além de poder reacender sentimentos de ódio ou discórdia, a diretoria da editora resolveu não publicar esta obra”.

No mesmo ano da morte de Hitler, 1945, morreu também Anne Frank, a menina judia de 15 anos que registrou o tempo em que viveu escondida até ser mandada para um campo de concentração.

Os direitos sobre o “Diário de Anne Frank” também deveriam ser liberados agora, depois de 70 anos. Mas paira sobre a obra uma outra polêmica: a fundação que administra os direitos autorais do livro argumenta que o pai de Anne, Otto Frank, é co-autor por ter organizado e editado os escritos da filha. E por isso, o uso da obra só pode ser liberado em 2051, 70 anos após a morte de Otto.

Mein Kampf

Mein Kampf (em português: Minha luta) expressa suas ideias antissemitas, racialistas e nacional-socialistas então adotadas pelo partido nazista. O primeiro volume foi escrito na prisão e editado em 1925, o segundo foi escrito por Hitler fora da prisão e editado em 1926. O livro se tornou um guia ideológico e de ação para os nazistas, e ainda hoje influencia os neonazistas, sendo chamado por alguns de “Bíblia Nazista“.

É importante ressaltar que as ideias propostas em Mein Kampf não surgiram com Hitler, mas são oriundas de teorias e argumentos então correntes na Europa. Na Alemanha nazista, era uma exigência não oficial possuir o livro. Era comum presentear o livro a crianças recém-nascidas, ou como presente de casamento. Todos os estudantes o recebiam na sua formatura.

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