Com o intuito de levar o empoderamento e dar visibilidade, uma página no Facebook tem conseguido ir além. É a página Menino Gay, que se tornou um meio de representatividade e identificação entre seus seguidores, que veem a possibilidade de viver a sexualidade de uma forma fluida e natural.

A página nasceu do processo de autoaceitação de um dos idealizadores, uma espécie de diário que o tiraria da realidade de opressão vivida em uma cidade do interior, onde a homossexualidade era vista como aberração. O que era pra ser um diário ganhou forças, e ele começou a perceber que as histórias que publicava eram vividas por outras pessoas.

“O medo de se assumir, a dificuldade em se aceitar, o bullying sofrido na escola, a não aceitação dos pais… Por isso resolvi que a página não seria o meu diário particular e sim o NOSSO diário. E com isso, decidi também que não iria revelar a minha identidade, pois eu não sou o Menino Gay. Nós somos o Menino Gay”.

cats-4

 

Com um alcance cada vez maior, vem também a retaliação e a violência do mundo real, invade o virtual. Recentemente a página foi alvo de ataques homofóbicos, com insultos nas publicações, mensagens de ódio e ameaças, o que deu e dá mais força e certeza de que ainda há muito trabalho a ser feito, mesmo com tristeza, os moderadores da página sabem que isso é o resultado de um trabalho que tem dado certo, e tem incomodado por trazer empoderamento e representação a tantos meninos gays oprimidos.

Veja também: EMPODERAMENTO E DESCONSTRUÇÃO NO PROJETO “BICHAS, O DOCUMENTÁRIO”

“Existem milhares de páginas voltadas para o público LGBT, mas em geral são sempre as mesmas: Repletas de fotos de casais gays, brancos, olhos claros, vivendo na Europa. Essa não é a realidade. E com o Menino Gay mostramos a verdade. É o nosso diário, queremos mostrar como é ser gay vivendo na favela aqui em São Paulo. Como é sair de mãos dadas na periferia. Como é ser gay e ser deficiente. Como sofrem um duplo preconceito, quem é gay e negro. Como também são lindos os gays que são gordos “demais”, ou magros “demais” e também como gays idosos também podem amar”.

São centenas de mensagens diariamente e um agendamento constante de conteúdo, que vai de matérias informativas, a debates, fotos e o momento da hashtag #EuTambémSouUmMeninoGay que mostra a naturalidade da sexualidade, seja ela vivida individualmente, ou em casal, que atrai o público que se vê na página, e pode contar e compartilhar suas histórias com mais pessoas que conseguem entender suas aspirações.

Para interagir, é só mandar o seu recado, a sua foto, ou o seu depoimento! Além desse contato, a página recebe constantemente relatos de jovens que procuram apenas um espaço para desabafar e dividir suas angustias. São histórias emocionantes de quem está se encontrando e precisa de alguém para dizer que tudo vai dar certo.

Related Posts

Comentários

Comentário