O designer e fotógrafo Hugo Fagundes resolveu fazer de seu trabalho de conclusão de curso, algo mais do que uma apresentação, preparou uma série fotográfica impactante sobre o abate humanitário, aliás, questionando esse termo criado pela industria pecuária para dizer que a carne consumida provem de um animal que foi morto sem sofrimento, mas será que isso existe?

O projeto Inversão Oculta foi apresentada para contrapor esse contexto. Nela Hugo colocou pessoas em um abatedouro abandonado no interior de São Paulo. Um cenário assustador por si, onde os participantes simulam o abate, com frases que questionam e informam sobre a exploração dos animais. “O movimento envolve muito mais coisas do que o simples ato de não comer carne. O veganismo foi o ponta pé para a criação. Os veganos lutam há muitos anos pelos direitos dos animais”, explica ele.

Desde que se tornou vegetariano, em 2007, Hugo conta que passou por várias provações, uma delas é o consumo desenfreado estimulado pela mídia e através dessas reflexões ele busca questionar mais pessoas. “O título é uma reflexão sobre o que não vemos, coisas que deixamos passar, o simples fato de provocarmos o mal sem saber. Isso tudo é oculto pra gente “Não vemos, “não sentimos””, enfatiza.

InversaoOculta2 série fotográfica

“Como o projeto não tem fins lucrativos, os modelos são pessoas que compactuam com a mesma ideia que a minha, o “Veganismo”. Busquei todas as pessoas possíveis para que as imagens acontecesse, mas o fato de estar nu causa uma reflexão própria da pessoa sobre o que ela vive, isso acabou com que muitas pessoas não se sentiram à vontade em fazer parte do projeto. E a ideia principal era tentar se pôr ou se expor como um animal”.

Uma das fotografias traz a mensagem: “Não existe abate humanitário quando o próximo a morrer é você“.No rodapé das imagens Hugo também informa que foram gastos 300 dias de estudo para a produção do material e que durante esse tempo, o equivalente a 4.717.440.000 animais tinham sido mortos para o consumo.

Hugo atribui a crescente onda de pessoas conscientizadas sobre a cultura vegana e vegetariana aos grandes ativistas e pesquisadores, e aos publicitários. “Pessoas que sofrem a todo momento em saber que existe um ser sofrendo por causa da exploração do outro e que também tem pena da pessoa que maltrata, pessoas que fazem a diferença nas nossas vidas, mesmo que indiretamente. Estas sim são as pessoas que estão causando o alvoroço inteiro no processo de liberdade animal e humana”, conclui.

Veja algumas fotos da série fotográfica Inversão Oculta

InversãoOculta1 série fotográfica

InversaoOculta3 série fotográfica

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