O projeto Chicos dos mineiros Fábio Lamunier e Rodrigo Laderia nasceu em outubro de 2014, através da necessidade de experimentar a nudez por meio da arte. Compreender e encontrar os medos e anseios por trás do ato de tirar a roupa. O misto de descoberta e desconstrução por meio da nudez.

O projeto consiste em ensaios fotográficos com rapazes gays, onde estes se despem das roupas e das angústias das histórias de cada LGBT, narrando seu processo de aceitação, do corpo e da orientação sexual, e em muitos casos a experiência perpassa das poses e texto, e torna-se um momento de identificação da história contada.

“O processo transforma-se num ato libertário pra muitos destes. É gratificante demais ouvir que essas horas de trocas nas conversas e fotografias pode fazer um bem enorme pra quem participa. Tanto de se aceitar melhor, como de posicionar-se”, enfatiza os Chicos idealizadores do projeto.

Fábio Lamunier e Rodrigo Laderia, idealizadores do projeto.

Conversamos com os meninos sobre a concepção de chicos, como foram realizados os primeiros ensaios e como são feitos hoje, além dos planos futuros para a edição impressa.

Como nasceu o projeto, e porque o interesse pelo nu?

O projeto nasceu em outubro de 2014, resolvemos fotografar um primeiro amigo em nossa casa. Aquele primeiro registro foi muito diferente do que temos hoje. Estávamos descobrindo como abordar os temas, a nudez e qual caminho achávamos mais interessantes. A partir deste primeiro fomos desenvolvendo e chamando mais conhecidos para participar e depois de estarmos um pouco mais seguros com o conteúdo, resolvemos finalmente lançar nove meses depois da primeira foto. O Chicos foi lançado online em junho de 2015.

Qual a experiência pessoal de vocês com a fotografia e com o nu?

Experimentamos fotografia desde a época de faculdade. Trabalhamos num laboratório de fotografia por um ano, e isso moldou muito a relação que temos com o ato de fotografar e ver aquele processo pronto. O nu, por outro lado, nunca foi um objeto de fotografia – até o início do projeto. Creio que tínhamos uma resistência, por mais que acompanhássemos vários trabalhos relacionados à nu e cultura gay. Resolvemos quebrar essa barreira, tanto fotográfica quanto de discussão, e fomos em frente. No início creio que ficávamos até mais nervosos que os modelos, mas com o tempo o processo tornou-se natural, como deveria ser.

Veja também: A LIBERDADE DO INUSITADO ENSAIO FOTOGRÁFICO [NU] OBJETO

Quem foram os primeiros modelos, e como vocês os convidaram?

Os primeiros chicos foram amigos, fomos aos poucos contando algumas ideias do projeto, mostrando referências e dividindo nosso objetivo. Alguns aceitavam e outros não se sentiam prontos para expor suas histórias e corpos. Ao longo dos dias, o projeto foi se tornando conhecido, os amigos dos amigos sentiram interesse em participar e hoje fotografamos basicamente pessoas que não tivemos contato antes e isso é uma experiência incrível. Você se encontrar com um desconhecido, ouvir suas histórias desde quando era uma criança e depois pedir para ele se despir foi algo que nos enriqueceu muito.

Como as pessoas foram se interessando para participar?

O projeto teve uma projeção grande muito rápida e inesperada. No início pedíamos sugestões para os amigos e conhecidos fotografados, e no caso positivo íamos fotografar e seguia este ciclo. Com pouco tempo começamos a receber e-mails e mensagens de pessoas interessadas em participar, e desde então temos trabalhado com voluntários –  a idéia inicial era de conseguirmos chegar neste ponto, de não ‘convidar’, mas de receber.

Embora sempre aparecem via e-mail e instagram, convidamos quando alguém sugere outra pessoa para nós, ou quando nós ou os leitores sentem falta de algum perfil. Mas estamos abertos à quem quiser participar.

O site veio para o facebook/instagram, e agora quais os próximos planos?

Os próximos incluem um documentário – com um apanhado das entrevistas que fizemos ao longo destes 7 meses, e quem mais formos entrevistando – e um livro. O livro virá primeiro, já estamos organizando as fotografias e ensaios (muitos deles exclusivos só para o modelo impresso) para lançar a campanha de financiamento coletivo.

Começamos o projeto sem saber muito pra onde ele iria caminhar. A ideia nossa fosse que tivesse uma duração média de uns 2 anos, mas estamos trabalhando a ideia de finalizá-lo quando completar um ano (no final de junho deste ano).

Como tem sido o feedback das pessoas²

O feedback de quem posa é muito positivo para nós – geralmente escrevemos sobre o processo nas entrevistas. Muitos nunca foram fotografados antes (despidos ou vestidos), então o processo transforma-se num ato libertário pra muitos destes. É gratificante demais ouvir que essas horas de trocas nas conversas e fotografias pode fazer um bem enorme pra quem participa.Tanto de se aceitar melhor, como de posicionar-se. Claro que não é um mérito do projeto, mas do próprio participante.

O feedback de quem lê perpassa por caminhos similares: ou eles comentam quando se identificam, quando querem dar apoio, como quando discordam do que é dito e querem complementar ou problematizar. De qualquer forma, o espaço tem criado discussões e comentários, entre um post e outro.

Veja algumas fotos dos ensaios:

yuripost11

nudez

nudez

ravel-edit8

Paco-06-copy

lazaro5post

nudez

nudez

nudez

Se for maior de 18 anos, confira mais fotos do Chicos

Related Posts

Comentários

Comentário