Após o lançamento e a onda de polêmicas envolvendo o novo single de Beyoncé – Formation – uma das perguntas mais frequentes é sobre a voz do início do vídeo, que pergunta “O que aconteceu em Nova Orleans?”.

É a voz de Messy Mya, um YouTuber negro, gay e militante, de 22 anos, que em 2010, resolveu denunciar a violência pública da polícia contra sua comunidade e cultura e apareceu morto sob circunstâncias suspeitas.

De cabelos coloridos e humor ácido, Anthony Barre (nome verdadeiro de Messy) não tinha medo de afrontar a milícia – “Eu estou de volta, vadia!” – e pagou um preço alto por isso. Preço que, notoriamente, seus irmãos e irmãs que por algum motivo ainda continuam vivos pagam diariamente. Ele era engraçado, cru e politicamente incorreto. Seus vídeos, com dezenas de milhares de visualizações se dirigia ao povo que via e convivia todos os dias com a violência.

Ironicamente, a história de Messy, que foi baleado sem motivo aparente enquanto saía do chá-de-bebê de seu filho, na época ainda não-nascido, só veio à tona agora, quando seu canal recebeu uma enxurrada de visualizações pós-Formation, que ainda conta com a voz da trans negra Big Freedia, e o mundo passou a tratar as denúncias de Beyoncé, antes uma negra perfeitamente aceitável no meio de convívio branco, justamente por não reclamar e cantar músicas pop recicláveis, como algo ameaçador e bastante sério.

Em Formation ela fala diretamente sobre o movimento #BlackLivesMatter. Que, traduzido para o português, significa exatamente “as vidas dos negros importam”, abordando ainda a violência policial e claro, o empoderamento negro, com os cabelo das mulheres negras, e flashs de história do povo afroamericano.

Veja também: 19 FILMES QUE ABORDAM O EMPODERAMENTO NEGRO

Não fosse pela artista, e sua emblemática música nova, o legado de Messy continuaria no anonimato, e sua existência obliterada, ela protagoniza um momento importante para os EUA, encarando o racismo e a tão contraditória supremacia branca, em doses de discussão diária, como já fazia (e faz) Lauryn Hill, Janet Jackson e Azealia Banks.

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