O projeto Downtown Divas dos artistas Gigi Ben Artzi e Loral Amir não é sobre moda, nem sobre drogas. Eles decidiram trazer mulheres das ruas, para contar através de suas histórias pessoais e mostrar o que acontece ao longo de uma vida dedicada ao vício e a prostituição.

As fotos poderiam ter saído de algum editorial de moda; elas são magras, andróginas, até mesmo os cortes dos cabelos são usuais, mas o que todo esse visual realmente esconde é que a magreza e o ar despretensioso vem do uso de drogas pesadas e foi batizado pela indústria fashion nos anos 90 de heroin chic.

“Me deparei com uma das meninas uma noite. Ela tinha as características de um modelo, corte de cabelo muito fino, fresco … Eu pensei que poderia ser legal para fotografá-la como um modelo”, explicou Gigi. O intuito não é conferir glamour ao uso das drogas, mas sim destacar a realidade obscura.

“Fiquei surpreso com o fato de que, mesmo vivendo em um lugar tão ruim, tanto mentalmente quanto fisicamente, elas ainda são muito sensíveis e têm os mesmos sonhos e esperanças que as mulheres comuns. Eles vivem em um universo paralelo, são mortas-vivas.” disse Gigi ao site Bullet.

Nas fotos e no filme feito com uma película de 16mm, elas vestem roupas de grifes de luxo como Miu Miu, Louis Vuitton, Acne e Kenzo e falam sobre música, sonhos, hábitos, onde as ruas figuram suas casas e as drogas são o alimento de sobrevivência.

Assista ao curta Downtown Divas:

Lorel explicou que estes assuntos foram escolhidos como uma mudança da norma: “Normalmente, quando dependentes químicos são o assunto, só ouvimos sobre como eles caiu no mundo das drogas e como heroína destruiu suas vidas etc, e quando você realmente pega um dependente real e veste eles de forma superior o contraste é surpreendente”.

Veja também:

Uma vez que mulheres assim, que vivem em constante processo de autodestruição, são colocadas em um estúdio fotográfico com roupas de luxo e saem tão bem como modelos, é preciso questionar o sistema de produção da cultura da moda, e os processos que se desdobram nas ruas, e na realidade de cada pessoas que recebe toda essa informação, vendida em doses homeopáticas de necessidade todos os dias.

Veja algumas das fotos do ensaio:

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