Um dos documentos considerados fundadores do feminismo é o “Reivindicação dos direitos da mulher”, escrito pela crítica literária e tradutora inglesa Mary Wollstonecraft, foi publicado em 1792 e ganha agora uma nova edição crítica no Brasil pela Boitempo.

A obra teve grande influência no nascimento do movimento feminista no Brasil. De acordo com um levantamento realizado pela professora da Faculdade de Letras da UFMG, Constância Lima Duarte (que lança agora o dicionário ilustrado “Imprensa feminina e feminista no Brasil — Século XIX”), ao longo do século XIX foram escritos pelo menos 143 publicações no país, voltadas para as mulheres.

Mary Wollstonecraft escreveu principalmente sobre o direito das mulheres à educação, que na época, ficava reservada às mulheres apenas o preparo para tarefas do lar. A trajetória pessoal da ativista inglesa explica seu interesse pelo tema. Mary deixou a casa do pai aos 19 anos e passou a se sustentar como acompanhante de uma viúva. Em 1774, junto com a irmã Eliza, fundou uma escola numa comunidade ao norte de Londres onde havia forte presença de dissidentes políticos e religiosos. É essa experiência que leva Mary a escrever seu primeiro panfleto sobre a educação das mulheres.

“Ela trilhou um dos poucos caminhos possíveis a uma mulher de sua época para conseguir espaço como intelectual. Teve formação incipiente e, depois, educou-se de modo autodidata”, conta Ivania Motta, tradutora da obra e autora da dissertação de mestrado sobre a ativista.

Os textos de Wollstonecraft foram escritos num período peculiar na Inglaterra em relação à produção de obras teóricas e discussões políticas. Em plena Revolução Industrial e sob o impacto tremendo da Revolução Francesa, desenvolveu-se o mais intenso e polêmico debate ideológico jamais havido sobre o caráter e a natureza das instituições políticas.

A partir de 1788, Mary começou a colaborar com a recém-lançada revista “Analytical Review”. É esta publicação que lhe dá acesso à vanguarda artística e intelectual da Inglaterra, incluindo Thomas Payne, William Blake e Henry Fuseli. Nos anos seguintes, ela mantém alguns relacionamentos amorosos, o que vai contra a moral sexista e conservadora da época, e chega a viajar para a França para acompanhar de perto os desdobramentos da revolução no país.

Segundo Ivania, quando publicou “Reivindicação dos direitos da mulher”, ela já era conhecida pela obra que escrevera em defesa de (Richard) Price e da Revolução Francesa, um marco de sua passagem de autora sobre educação de moças e crianças, campo essencialmente feminino e doméstico, para pensadora do debate político, reduto eminentemente público e masculino. “Wollstonecraft não foi a primeira mulher a escrever sobre os direitos das mulheres. Mas foi quem usou o tom certo no momento propício”, enfatiza a autora.

Com informações do Primeira Edição

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