Há anos cientistas e antropólogos estudam como o costume se originou, porém teorias dizem que o mais próximo do que conhecemos como beijo tenha se iniciado dentro de rituais religiosos antigos, em sinal de respeito, mas há também o elemento cultural, onde explica a necessidade de demonstrar afeto pelo outro através do beijo.

Já que não é possível saber ao certo como o beijo se originou, podemos observar como a representação dele se deu, por exemplo, no cinema. Nessa maravilha que é 99%  vida real, mas aquele 1% é fantasia, e das boas.

O primeiro beijo no cinema foi no filme O Beijo (1896), filmado por Thomas Edison, com apenas 26 segundos. O filme foi protagonizado por John C. Rice e May Irwin. Mas beijo, com B maiúsculo e direito a língua, foi exibido nas telonas em 1961, e quem o protagonizou foi Natalie Woods e Warren Beatty, em Clamor do Sexo.

Até onde se sabe, o primeiro beijo gay masculino na história do cinema (ou pelo menos um dos primeiros que se conhece) foi no ano de 1927, no filme Wings (Asas), primeiro filme mudo a ganhar o Oscar de Melhor Filme, com Buddy Rogers e Richard Arlen interpretando dois pilotos de combate que disputam a afeição de uma mesma mulher (Clara Bow).

Esse é o enredo, mas nenhum dos dois, como o escritor Kevin Sessums diz, “mostra tanto amor por ela, como demonstra um pelo outro.” O beijo é bastante tímido, mas se tratando de 1927 e o fato de serem dois homens fardados se acariciando foi bastante importante para a história do cinema gay.

Depois foi a vez das mulheres no cinema. O primeiro beijo homossexual feminino da história do cinema, foi na produção alemã Mädchen in Uniform, (Meninas de Uniforme) em 1931.  O beijinho de boa noite que a professora Fraulein Von Bernbur (Dorothea Wieck) deu em sua aluna Manuela (Hertha Thiele) foi motivo de censura tanto na Alemanha como nos Estados Unidos. Em 1958, a produção ganhou uma refilmagem.

Por muito tempo, o beijo mais longo já visto nas telonas tinha sido o de Jane Wyman e Regis Toomey, no filme A Serviço de Sua Majestade, de 1941, com 3 minutos e 5 segundos de duração, mas o recorde foi quebrado em 2010, no filme Elena Undone, onde duas mulheres se beijam por 3 minutos e 23 segundos.

No Brasil, o primeiro beijo gay aconteceu em 1979, no filme República de Assassinos, de Miguel Faria Júnior. Neste clássico do cinema policial brasileiro, o mocinho é um travesti – Eloína, interpretada por Anselmo Vasconcelos. O envolvimento dela com o puxador de carros Carlinhos (Tonico Pereira) rendeu beijos cinematográficos.

O BEIJO MAIS POLÊMICO

O beijo brasileiro mais polêmico aconteceu primeiramente no teatro, escrito por Nelson Rodrigues em 1960, a peça O Beijo no Asfalto, foi feita especialmente para o Teatro dos Sete, e encenada pela primeira vez em 1961, dirigida por Gianni Ratto, com Fernanda Montenegro, Sérgio Britto, Ítalo Rossi, Fernando Torres, Oswaldo Loureiro, Suely Franco, entre outros.

Na história um homem é atropelado por um ônibus na rua e cai no asfalto. Arandir, que a tudo assiste, corre para acudir a vítima, debruça-se sobre ele e lhe dá um beijo na boca. Seu gesto é logo interpretado por um repórter da imprensa sensacionalista, Amado Ribeiro, como manifestação de homossexualidade.

Arandir, revoltado, pois sua atitude foi apenas de solidariedade humana, perde o emprego, é acusado pelo sogro Aprígio, que tenta convencer a filha de que seu casamento é uma farsa. Aprígio, que sempre rejeitou o genro, tem agora a oportunidade de expulsá-lo da vida da filha. Somente Dália, a cunhada apaixonada por Arandir, acredita em sua verdade.

O beijo vira manchete de jornal e o noticiário é alimentado pelo repórter Amado, cuja estreita ligação com o delegado Cunha leva o caso à esfera policial forjam a versão de que Arandir e o morto já se conheciam e, inclusive, eram amantes.

Veja também: 10 FILMES COM TEMÁTICA GAY QUE PRECISAM SER (RE)DESCOBERTOS

O enredo parece simples, mas não é nada convencional, como é de se esperar ao se tratar de Nelson Rodrigues. Além das temáticas características do autor, como repressão social, moral hipócrita e bloqueios sexuais, o drama mostra uma vida destruída por um jornal. Misturada ao retrato da imprensa sensacionalista, está a análise do comportamento abusivo de alguns policiais.

A peça teve ainda duas versões cinematográficas, a primeira em 1964, O Beijo, com direção de Flávio Tambellini (pai), com Reginaldo Faria, Norma Blum, Xandó Batista e Jorge Dória nos papéis centrais, e a segunda em 1981, com direção de Bruno Barreto e elenco composto por Ney Latorraca, Christiane Torloni, Tarcísio Meira, Daniel Filho, Oswaldo Loureiro, Lídia Brondi e Caio Brossa no elenco.

Related Posts

Comentários

Comentário