Nesta quarta-feira (20), a Folha de S.Paulo informou que a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) vai denunciar o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).

A instituição, que reúne 308 organizações pró-LGBT, quer reforçar à comunidade internacional que o membro do PMDB é sinônimo de perigo para os direitos humanos no Brasil.

Caso o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) se concretize e o vice Michel Temer – do mesmo partido de Cunha – assumir o posto, os direitos dos LGBT brasileiros estarão sob grande perigo, pois o presidente da Câmara, hoje, é o terceiro na linha sucessória para a presidência do Brasil.

Em entrevista ao HuffPost Brasil, Carlos Magno Fonseca, presidente da ABGLT, explicou o propósito urgente da denúncia.

“A gente precisa dizer para o movimento internacional o que está acontecendo no País”, disse. “Quem está na presidência da Câmara dos Deputados não tem a mínima condição ética e de direitos humanos para ser protegido por um organismo internacional.”

Fonseca refere-se a um dos episódios de ousadia de Cunha, em fevereiro deste ano, quando o réu na Lava Jato disse estudar um pedido de proteção à Corte Europeia de Direitos Humanos por estar sendo “perseguido” no Brasil.

“A gente resolveu fazer um dossiê e divulgar para organizações internacionais, para dizer quem é Eduardo Cunha: uma pessoa super envolvida com corrupção, que tem uma trajetória de apresentar projetos como o do ‘Dia do Orgulho Hetero’ e tem atuado por meio de manobras e coação aos movimentos de direitos humanos”, disse Fonseca.

Para o presidente da ABGLT, o impeachment de Dilma é um “grande perigo” para os LGBT brasileiros.

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“Vimos na sessão de domingo [dia 17] que a bancada evangélica fundamentalista, que tem as principais figuras contra os LGBT, apoia o impeachment. Eles saíram fortes desse processo. Cunha sendo vice, com certeza irá trazer retrocessos para os LGBT. A bancada fundamentalista homofóbica de apoio ao impeachment tem atuado fortemente para que nenhum projeto pró-LGBT seja aprovado.”

Uma vez fortalecidos na união pelo impeachment, explica Fonseca, “o projeto de ataque à nossa população vai se consolidar”. E os direitos e serviços já conquistados podem ser alvo dos políticos conservadores, além da possibilidade de perseguição.

“Acho que os LGBT, como outros movimentos sociais, têm que lutar para que a democracia no País não seja fragilizada e que a gente possa seguir atuando fortemente para que nossas conquistas sejam garantidas, que não haja nenhum recuo para nossa população.”

Por:  Caio Delcolli, do HuffPost Brasil | Foto: Pedro Ladeira

A foto que ilustra a matéria se refere ao dia 7 de junho de 2015, quando os deputados da bancada evangélica se manisfestara, contra a Parada Gay, a Marcha das Vadias e a Marcha da Maconha, pedindo que atos públicos que “ferem a família” e a liberdade religiosa fossem tipificados como “crime hediondo”.

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