A rapper Karol Conka fez uma participação muito especial na edição on line deste mês da revista Marie Claire, a cantora de 28 anos falou sobre racismo, feminismo, moda e comportamento, e chamou a atenção ao tocar em pontos delicados de sua história.

Considerada porta-voz do movimento negro e feminista nos palcos, a rapper sempre disse e ostentou um enorme orgulho por ser uma referência fora dos padrões e faz questão de, com sua música, ajudar as pessoas.

Para ela, a autoestima também é segredo para uma sociedade mais feliz. “Muitos fãs se sentem representados por mim, que sou uma pessoa fora do padrão, porque não se enxergam na televisão ou nos outdoors”, disse a paranaense que coleciona sucessos, como os hits “Boa Noite”, “Gandaia” e o mais recente “Tombei”.

“Acho importante transmitir mensagens de autoestima, e faço isso porque percebo, do meu ponto de vista, que o que mais adoece as pessoas é a falta de amor próprio. É isso que deixa as pessoas frustradas e faz com que elas se tornem ‘haters’ na internet. Penso que tenho o dom da fala e prefiro usar isso para transmitir uma palavra de conforto”.

Sobre o visual criativo e cheio de atitude, Karol explicou que se aproximou do mundo da moda para poder se expressar e mostrar seu modo de ver e encarar o mundo. “Sempre achei o estilo uma forma de expressão. E sempre quis ter tudo diferente”, diz. Mas, antes de transmitir suas ideias às pessoas, a rapper viveu momentos que a transformaram em uma mulher de opinião forte e pronta para “tombar” determinados padrões sociais.

Desde a infância em Curitiba, a rapper gostava de experimentar formas e brincar de ser artista, mas as brincadeiras eram refúgio também para o vazio que o pai, alcoólatra, deixava. “Eu ficava triste de vê-lo no banheiro em coma alcoólico. Sentia falta da presença dele. Nunca aconteceu de ele ser agressivo por causa da bebida, mas passei por situações chatas. Fantasiar me ajudava”, desabafou a cantora.

O rap chegou em sua vida quando ela se apaixonou pela música de Lauryn Hill. “Me senti atraída porque é um ritmo cru, real. Meus primeiros contatos com música foram samba, pop e MPB, mas o rap tinha algo a mais. Hoje sinto que consegui colocar meu jeitinho mais pop na minhas músicas”, explica. Foi após subir uma música própria no antigo MySpace que Karol começou sua carreira.

A cantora também falou sobre como foi e é difícil viver o racismo diário e institucionalizado. “Tinha 17 anos e um professor estava me dizendo que eu poderia processá-lo, pois só queríamos dinheiro dos brancos. As pessoas precisam entender que não é vitimismo. Racismo machuca. Machuca as crianças. Machuca os adolescentes.”

Quando se apaixonou por um menino branco, ela conta que ele a propôs como condição, que ela mergulhasse em uma piscina de água sanitária para ficar branca. “E eu mergulhei minha mão num balde, aos nove anos, para ver se funcionaria. Naquele dia, minha mãe começou a me mostrar que eu sou linda assim, desta forma.”

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Como uma das únicas cantoras negras no rap nacional com visibilidade, Karol se sente responsável por representar o movimento negro e lembra do que aprendeu. “Se eu reclamo, sou vítima. Mas, se eu me calo, não adianta. Então comecei a causar.”

“Muita gente me falou que não acreditava em mim e, só depois de ouvir minha música, enxergou minha capacidade. As pessoas têm essa coisa de ‘ah, é mulher fazendo’ e já rola uma preguiça. Gosto de servir de exemplo por isso, porque somos subestimadas”, complementa Karol, que está gravando seu novo álbum e já tem data prevista para estreia em junho e promete ser um sucesso.

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