O Lampião da Esquina é considerado o primeiro jornal destinado a população gay do país. Em 1978, e por pouco mais três anos, a publicação carioca ousou desafiar a ditadura brasileira, colocando nas bancas um jornal que falava de mudanças, de subversão, do mundo gay.

Nomes como João Silvério Trevisan, Aguinaldo Silva, Celso Curi, Wilson Bueno, Peter Fry, entre outros, estiveram presentes no projeto que agora ganha um documentário homônimo produzido pela Doctela em parceria com o Canal Brasil, dirigido pela documentarista Lívia Perez.

Da edição zero aos boicotes e censuras promovidas pelo grupo, até o final do jornal, as capas fortes e os editoriais corajosos, são exposto no filme que estreou no início de abril no festival É Tudo Verdade.

A Liberação sexual, o movimento feminista, o aborto, a legalização das drogas, e a denúncia de racismo eram algumas das pautas do periódico que usava linguagem coloquial, entrevistava personalidades como Lula, Clodovil… e apontava o preconceito e morte “às bichas”. O projeto ainda quer levar o Lampião às telas do cinema na forma de outro documentário.

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A publicação representou uma classe que não possuía voz na sociedade, mostrando-se importante para a construção de uma identidade nacional pluralista. O subsidio para a circulação veio por meio da criação de uma editora também chamada de Lampião e de colaboradores que doaram algumas quantias em moeda.

Todo o conteúdo de Lampião, 38 edições, está disponível online graças ao Grupo Dignidade, de Curitiba, e foi uma das fontes de informações para a produção do projeto documentário. Confira as versões digitalizadas do Lampião aqui.

Assista ao trailer de Lampião da Esquina:

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