Puta! Puta! Puta! Ao ser chamada de puta hoje antes de sair para o trabalho, por alguém que até tem meu sangue ao ser questionado por seus comportamentos patriarcais, ainda com lágrimas nos olhos em meio a um ambiente coletivo de transporte público, observei que ser puta no âmbito mencionado era sinônimo de orgulho não de tristeza, vergonha ou motivo para me oprimir, indaguei o motivo.

O termo está associado diretamente com a sexualidade, não faço nem nunca fiz programa, mas não vejo problemas com as pessoas que fazem, mas o motivo da agressão verbal foi só para oprimir e ofender mesmo, nada muito teórico.

Gabriela Leite, num discurso na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, comenta o uso pejorativo do termo: “Puta, para as pessoas, é nada, não chega nem a ser mulher. E eu gosto muito da palavra puta, porque eu quero que um dia essa palavra se torne uma palavra bonita. Porque você não faz movimento nenhum se escondendo embaixo da mesa”.

Pensei, o que é ser puta? Desisti. Pensei novamente, o que faz uma pessoa agredir chamando de puta. Encontrei algumas respostas.

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Seria pelas roupas? Piercing? Tatuagem? Comportamento que sempre questiona valores e ‘verdades’? Mas percebi que ser chamada de puta em uma sociedade machista é o mesmo que ser punida por questionar o patriarcado, pois a puta não dorme direito, é pobre, estuda e é bolsista, precisa de boas notas e também passar em um concurso público, precisa pagar as contas, trabalha como estagiária de jornalismo, viaja só…

Lembra das “putas” que não tem autonomia para se libertar do relacionamento abusivo e tenta ajudá-las, salienta que ser mãe é uma escolha, e não existe mãe solteira só existe mãe. Mulheres que não seguem o que a cultura patriarcal exige de acordo com a ‘moral e os bons costumes’ não somos inferiores nem devemos nos calar, pois outras antes de nós também questionaram e foram julgadas e até queimadas, e ainda hoje mortas, agora por exemplo, começa com uma palavra, até mesmo uma palavrinha curta ‘PUTA’ termina em estatística.

Chega de cabeça baixa por que se ser puta é ditar as regras do próprio corpo, e lutar pela independência e igualdade eu, aceito essa condição.

BG RAMONE

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