A Netflix tem alguns trabalhos bem interessantes quanto a diversidade, seja em conteúdo próprio ou de catálogo, e uma prova disse é a sessão LGBT no quadro de subgênero para os títulos dos filmes, ainda que um tanto pequena, a lista do canal de streaming traz títulos interessante, que fogem dos clichês descobrimento da sexualidade ou mesmo romance (não que a gente não goste. Tem que ter filme LGBT em todos de todos os estilos e gostos).

Separamos história de personagens gays importantes da história, uns conhecidos, outros invisibilizados, textos não-americanos (mas ainda nenhum título brasileiro disponível), densos, gays, trans, lésbico, bissexual, ousados, belos, um documentário tocante e um romance muito bem escrito.

Então, bom filme e não esquece de nos contar o que achou da lista.

O JOGO DA IMITAÇÃO

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Começamos a lista com um título para aqueles que gostam de um história baseada em fotos reais. Essa trama de Morten Tyldum narra a vida do matemático homossexual Alan Turing, que desenvolveu durante a Segunda Guerra Mundial os códigos para quebrar o Enigma, o famoso código que os alemães usavam para enviar mensagens aos submarinos.

A homossexualidade de Turing resultou em um processo criminal em 1952, pois atos homossexuais eram ilegais no Reino Unido na época, e ele aceitou o tratamento com hormônios femininos e castração química, como alternativa à prisão.

ALÉM DA FRONTEIRA

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Considerado por muitos um Romeu e Julieta gay, o filme de Michael Mayer conta a história de um jovem palestino que consegue permissão pra estudar em Tel Aviv e se apaixona por um advogado judeu e israelense, o que por si já é uma polêmica relevante. O longa ainda expande ao trazer para a tensão política do jovem que esconde sua condição de homossexual e tem um irmão terrorista, que ainda por cima está envolvido no assassinato de um jovem palestino (amigo do protagonista), que vivia foragido em Tel Aviv, um lugar mais tolerante, embora não aceite bem os palestinos.

AZUL É A COR MAIS QUENTE

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O filme francês de Abdellatif Kechiche divide opiniões. Longo e realista, acompanha o despertar da sexualidade da jovem Adèle, que se apaixona pela intensa Emma, a jovem de cabelos azuis que mexeu com o coração de todas as meninas. A produção aposta em cenas quentes e dramáticas para segurar o espectador entre os longos planos sequência, mas se engana quem pensa que o texto deixa a desejar pela imagem. Muito pelo contrário, a narrativa é densa, e a grande sacada do filme é escancarar as dificuldades de um relacionamento, seja de qualquer configuração.

DEIXE A LUZ ACESA

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O filme traz o cotidiano de um documentarista dinamarquês que se apaixona por um advogado americano em Nova York em 1998. Premiado, o longa do diretor Irá Sachs é um retrato bastante complexo e delicado de uma relação homoafetiva, apresentando em profundidade todas as nuances dos personagens. Uma obra essencial e forte. Um texto cru, com interpretação singelas, de personagens e dramas reais.

CONTRACORRENTE

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O longa colombiano de Javier Fluentes Leon, conta a história de Miguel, um pescador casado com uma mulher que espera seu primeiro filho. Porém, nada é tão simples tendo em vista que ele vive um romance com o artista Santiago. Leve e bonito, é uma reflexão sobre amor e orientação sexual. Ótimo filme para se rever as concepções sobre bissexualidade.

POUCAS CINZAS

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O filme conta a história do romance entre Salvador Dalí e o poeta Frederico Garcia Lorca. Na Madrid de 1922, a beira de uma mudança com os valores tradicionais sendo desafiados pela nova e perigosa influências do jazz, de Freud e a vanguarda. Dalí chega à universidade na idade de 18 anos, determinado a se tornar um grande artista. Sua bizarra mistura de timidez e exibicionismo desenfreado atrai a atenção de dois membros da elite social da universidade – Federico García Lorca e Luis Buñuel. Paul Morrison entrega um filme biográfico ácido e sensível, com muita qualidade de interpretações.

O CÍRCULO

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Do roteirista e diretor Stefan Haupt, o longa conta a história de um grupo que vivia na Suíça da pós-Segunda Guerra, que se reuniam para falar sobre homossexualidade, criando uma revista multilíngue e ativista, intitulada Der Kreis (O Círculo), com distribuição “escondida” para burlar a censura.

Em meio a esse contexto, o filme vai contar quando o tímido professor de literatura Ernst Ostertag  conhece um jovem cabeleireiro de 18 anos Robi Rapp, que faz shows como drag queen em reuniões proibidas do grupo O Círculo.

A produção é um híbrido entre um filme biográfico e documentário, onde os próprios Ernest e Robi, hoje septuagenários, dão os seus depoimentos sobre as dificuldades enfrentadas pelos homossexuais na época, tendo de viver no armário e deixar as famílias em casa para se divertir em bares de sexo na companhia de michês perigosos.

INTERIOR. LEATHER BAR

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O projeto pretensioso de James Franco e Travis Mathews consiste em criar um universo paralelo ao clássico Parceiros da Noite, com Al Pacino. O filme conta como seriam os 40 minutos cortados da versão final de Parceiros da Noite. Para quem não conhece o enredo, o filme de Friedkin narra a saga de um policial infiltrado no submundo sadomasoquista gay de Nova York para caçar um assassino.

As cenas foram cortadas por “sugestão” imposta pela Motion Picture Association of America (MPAA), órgão que classifica filmes conforme o que entende como adequado para as audiências dos Estados Unidos. A submissão às decisões da entidade não são obrigatórias por lei, porém impactam diretamente no circuito comercial do país, já que muitas salas se recusam a exibir obras não avaliadas pela instituição. Para evitar a classificação x-rated (pornô), Friedkin abriu mão das cenas mais pesadas de Parceiros da Noite.

Veja também:

TOMBOY

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Para encerrar a lista, o sensível e incrível filme de Cèline Sciamma, conta a história de um criança que se muda com a família para uma nova cidade, e ao fazer novos amigos reconhece uma abertura para ser quem se é. Essa produção é uma grande reflexão sobre os padrões de gênero e comportamento impostas pela sociedade desde a infância, e as formas de autoconhecimento vividos na adolescência.

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