Antes de a estreia de Velho Chico na Globo, o autor Benedito Ruy Barbosa soltou o verbo dizendo que os 80 milhões de espectadores ligados diariamente no canal acompanhando a novela do horário nobre, estão cansados de ver históricas de homossexuais, e que tem orgulho dos seus netos e bisnetos serem machos.

A declaração soou com estranheza pelas pessoas nas mídias sociais. Avalio como sendo uma fala descontraída, nada de rigidez como muitos disseram. Da mesma forma concordo com o ator Rodrigo Lombardi que faz um dos protagonistas da trama que disse: “O Benedito é um homem do campo, de raiz, inteligente, letrado e maravilhoso, mas que tem o seu jeito de falar. Entendemos isso como uma fala descontraída”.

Vamos ao enredo da novela, que trouxe de volta Rodrigo Santoro às novelas, e que por sinal está muito bem em seu personagem. Santoro, que já fez filmes em Hollywood, lembra o personagem em Velho Chico, ao que o ator protagonizou na minissérie Hilda Furacão, ao lado de Ana Paula Arósio, não sendo um padre igual ao daquela época, mas o contexto, os trejeitos. Uma cena marcante, quando a mulher do personagem, morre no parto ao dar a luz ao filho do casal e Santoro descarrega todas as mágoas em uma garrafa de cachaça.

Os atores Camila Pitanga, Domingos Montagner e Marcelo Serrado vão viver um importante triângulo amoroso na trama. Os três atores são consagrados na TV, no teatro e no cinema.

As filhas de Benedito, Edmara e Edilene Barbosa escrevem juntas a novela, que é dividida em fases, com um contexto mais rebuscado de compreender, mais que não foge aos temas rurais, a história gira em torno de mortes, vingança, famílias rivais e tem o Rio São Francisco como pano de fundo nos anos de 1960. Coronéis, padres, mucamas, romances proibidos, relação de negros com brancos e donzelas, como sempre presentes nas histórias de Benedito. O tema de abertura, Tropicália, de Caetano Veloso também casou bem com o enredo e com as figuras da abertura.

Selma Egrei, a premiadíssima atriz interpreta uma mulher má, que enraizada as fortes tradições que a prendem ao passado, a faz uma mulher possessiva, autoritária e preconceituosa. Apesar das cenas fortes, a atriz defende o personagem com maestria. Fazia tempo que um autor de novela não reservava um personagem à altura desta atriz. O grande Tarcísio Meira também sempre imponente em seus personagens.

Marcos Palmeira está de volta em uma novela de Benedito, sendo que o ator marcou sua carreira ao fazer a novela Renascer em 1993, que tratava sobre o cacau. Antonio Fagundes é um dos atores preferidos de Barbosa, e também está em Velho Chico, para Fagundes sempre um Salve!

A trama é dirigida por Luiz Fernando Carvalho que já trabalhou em temas rurais de novelas ao lado de Benedito, entre elas, Renascer e O Rei do Gado. Quem conhece o trabalho de Carvalho, conhece a agilidade das cenas, cortes secos e rápidos, e a imagem é de cinema, Velho Chico tem o ritmo de uma minissérie mais do que de novela.

A maioria das cenas são fortes, de nudez e sexo, mas o capricho das cenas é algo primoroso, inigualável, temos um Spielberg brasileiro chamado Luiz Fernando Carvalho.

BG-MARCELO-NAVA

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