A imagem de uma mulher negra de punho erguido enfrentando sozinha um grupo de neozanistas tem corrido o mundo. A protagonista desta história é Tess Asplund, de 42 anos, que não conseguiu assistir a manifestação na cidade de Bortänge (Suécia), organizada pelo Movimento da Resistência Nórdica, e decidiu enfrentar.

Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Asplund conta que não pensou muito no momento. “Foi um impulso. Eu estava tão indignada, tive de sair para a rua”, afirma. “Só pensava: nem pensar, eles não podem marchar aqui. Nenhum nazista vai marchar aqui, não está correto”.

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A imagem de Tess foi registrada pelo fotógrafo Daniel Poohl, editor da revista anti-racismo do país. Mas mesmo após a grande repercussão, Tess Asplund teme por atos de represaria do grupo de extrema-direita.

O medo não é em vão. Tess afirma que as ações do grupo já são conhecidas e que alguns de seus amigos já foram atacados e obrigados a mudar de casa. Ela diz que já recebeu alguns telefonemas anônimos no meio da noite. “É difícil falar sobre o ódio. Sinto vergonha por termos este problema. As autoridades dizem que é um país democrático, mas estamos falando de ideias nazistas! É horrível”.

neonazistas

Os meios de comunicação suecos já comparam a foto, com a famosa fotografia de Hans Runesson, em 1985, conhecida como “a senhora com a mala”, e hoje, três décadas depois, uma outra mulher, segurando também uma mala, enfrenta um grupo de skinheads no partido neo-nazista, dissolvido em 2009.

De acordo com as pesquisa do país, os Democratas Suecos, um partido nacionalista, conservador e anti-imigração, conta com 15% a 20% das intenções de voto dos eleitores e mantêm o poder no Parlamento, enquanto a proliferação do seu discurso se espalha por sites que incitam ao ódio.

“Vivemos numa Europa onde as ideias de extrema-direita se estão a tornar cada vez mais populares e também existe uma reação contra elas”. “Vivemos dias em que as pessoas aguardam por algo que canalize esta necessidade de resistir à Europa que constrói muros e fronteiras contra refugiados, uma Europa com quem não podem cooperar mais. O gesto de Tess capturou um desses conflitos atuais”, analisa Daniel Poohl.

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No início deste ano, a Suécia rejeitou a proposta de receber mais refugiados e imigrantes da Ásia e do Oriente Médio alegando ameaça a segurança nacional depois de alguns episódios de violência em abrigos de refugiados.

No ano passado, as Nações Unidas consideraram que o país tem um problema sério com racismo. “O racismo foi normalizado na Suécia. Pensava que a Suécia em 2016 iria ser mais aberta, mas alguma coisa aconteceu”, lamenta Tess. “Espero que algo positivo resulte desta fotografia. Talvez aquilo que eu fiz se torne um símbolo de que qualquer pessoa pode fazer alguma coisa. Se uma pessoa o conseguiu, qualquer um consegue”, conclui.

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