O artista paulista Diego Cernohovsky, de 28 anos, iniciou no ano passo um projeto de ilustração retratando modelos reais de pênis. O projeto inusitado foi ganhado repercussão e reconhecimento por abordar além da estética, os medos e as angústias dos personagens, que na maioria das vezes, se viam suscetíveis a uma sociedade falocêntrica e altamente erotizada.

Com um trabalho sempre voltado para a expressão corporal, Diego convidou seus amigos para participarem do projeto, ainda de forma despretensiosa. “Todos os amigos que convidei toparam participar, inclusive meus ex namorados. Quando comecei a compartilhar os desenhos através das redes sociais, rapazes do mundo inteiro começaram a surgir querendo ser desenhados”, afirma.

No final de 2015 veio a conta do Instagram, que chegou a ter 7000 seguidores e era o principal meio de compartilhamento do projeto, mas foi apagada por conta das denúncias, que o levou a repensar o formato do trabalho. O projeto inicial, hoje publicado pela página do artista pelo Facebook conta com 118 ilustrações de pênis, e 11 de vaginas.

“Ao analisar as nudes pendentes, percebi que quase sempre elas vinham acompanhadas de um depoimento onde as pessoas justificavam a importância de quererem fazer parte do conjunto de ilustrações, então decidi incluir tais depoimentos aos posts, tornando o projeto mais sensível e incluindo quem participasse de forma mais presente em toda a composição. Nesse momento incluí também a ilustração de vaginas, abrindo espaço para mulheres e homens trans”, explica o artista.

“A participação das vaginas no projeto também é um reflexo de minha orientação sexual. Sempre fui um rapaz misógino e demorei bastante tempo para me perceber dessa maneira. Os depoimentos que recebi de todas as garotas é de uma problemática tamanha e precisam, definitivamente, serem expostos mundo afora para que outros rapazes gays e héteros leiam e reflitam sobre o peso gigantesco que existe em torno de uma vagina”.

“Compreendo e priorizo a importância de ajudar as pessoas a aceitarem seus corpos, a não ter uma vergonha construída sobre um alicerce de padrões impostos por pessoas más e sem conhecimento”. O artista enfatiza que toda manifestação artística é um instrumento de empoderamento, mas lembra que “por mais que haja uma construção de um discurso de empoderamento, a partir do momento que solto essa arte, seja na internet ou nas galerias, ela é automaticamente ressignificada”.

Além de sofrer com as denuncias em sua página pelo Facebook, ele conta que já recebeu memes machistas e homofóbicos, com seus desenhos pelo WhatsApp, e que essas questões fogem completamente de sua proposta de criação e de um controle.

Diego já recebeu convites para entrevistas na Grécia e em Portugal, e tanta exposição também lhe trouxe retaliações, a exemplo de seu antigo trabalho. “Trabalhava com educação não formal em um museu aqui na cidade de São Paulo e a instituição não soube separar as coisas. 9 meses se passaram e continuo desempregado”.

No próximo mês ele terá seu trabalho exibido na galeria Dencker+Schneider, na Dinamarca, em um evento envolvendo a parada LGBT de Copenhagen, e em novembro na Gallery788, em Nova York. No Brasil ainda não há previsões para exposição.

Conheça um pouco mais do trabalho de Diego Cernohovsky:

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