Com o objetivo de conscientizar sobre a importância de se respeitar as pessoas em todas as orientações sexuais, os alunos de publicidade do Centro Universitário UNA, de Belo Horizonte e lançaram essa semana a campanha #SemMoldura.

No mês que se comemora a luta contra a homofobia, lesbofobia, bifobia e transfobia (17 de maio), a campanha reforça que a orientação sexual e a identidade de gênero são apenas duas das muitas característica que fazem de cada pessoa um ser humano único, de acordo com o slogan da campanha, “o que transborda é o que te faz”.

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“Ser negro te define? Ser mulher te estabelece? Ser gay te elucida? Ser magro te determina? Ser baixa te explica? Ser homem te limita? Ser trans te esclarece? Ser bonita te delimita? O que te faz?” A resposta a essa última pergunta – que inclui todas as outras – é o resultado da #SemMoldura.

“O conceito da campanha nasceu da reflexão sobre os padrões impostos pela sociedade”, explica Sâmara Paz, 24 anos, e uma das autoras do projeto. Segundo ela, a metáfora para esses estereótipos – que incluem a heteronormatividade – é a moldura.

“Quando a gente se livra dessa moldura, desses moldes que são impostos culturalmente, a gente evidencia que ninguém é igual a ninguém no mundo e que se fôssemos todos emoldurados, que graça teria? A graça é ser o que se é. Quando a gente transborda, ou seja, quando transpomos a moldura, a gente se revela e mostra que a orientação sexual é só uma característica e não o que define uma pessoa. Somos todos diferentes”, resume a universitária.

Durante um semestre, a a turma do terceiro período – que foi dividida em vários grupos – tinha como tema a luta contra a LGBTfobia para desenvolver uma campanha. A vencedora seria viabilizada pela universidade.

Eduardo Marques, 23 anos é homossexual e um dos autores da campanha #SemMoldura. Ele diz que, mesmo sendo parte da população LGBT, percebeu, com a imersão na leitura do conteúdo acadêmico-científico produzido sobre o tema, que tinha comportamentos homofóbicos.

“Desconstruir preconceitos é uma tarefa difícil, é algo tão naturalizado pela cultura que às vezes sequer percebemos”, observa. Para ele, é a informação o primeiro passo para ter uma postura de empatia em relação às diferenças e o universitário acredita o Brasil tem avançado na discussão sobre o tema, mas que ainda é preciso lutar para não perder força.

“Eu enfrentei preconceito dentro da minha própria casa, fui expulso quando revelei minha orientação sexual. Mas não podia recuar. Tive que reconquistar meu espaço. Hoje, minha família me aceita bem, aceita meu namorado, mas o processo de desconstrução de preconceitos é contínuo. Ainda temos países no mundo que é crime ser homossexual”, afirma.

20160520080944478602oPara Sâmara Paz, é muito gratificante saber que a campanha pode vir a mudar a forma de pensar de alguém. “Como mulher bissexual, sinto na pele diariamente os desdobramentos da LGBTfobia. Com a campanha, tive a oportunidade de conhecer e conviver com pessoas que possuem experiências diferentes da minha, mas que querem a mesma coisa: respeito”, afirma.

Outros personagens conhecidos da cena cultural de BH estão retratados na campanha, como os artistas Ed Marte e Cristal Lopes. Além das peças gráficas, os interessados podem saber mais sobre a campanha no site http://unasemmoldura.com.br/.

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